terça-feira, 31 de março de 2009
Sobre encontros, desencontros, re-encontros...
Aprendi, por exemplo, que não se pode exigir de alguém que a pessoa goste de você como você gosta dela, não se pode cobrar vínculos de ninguém - esse tipo de coisa não dá pra forçar. Soa cruel, mas acontece. Claro que sempre se pode correr atrás, tentar trazer a pessoa de volta - mas, se isso não for realmente importante pra ela, ela não vai voltar.
Obviamente eu já quis que pessoas queridas estivessem por perto, que desejassem estar comigo do mesmo jeito que eu queria estar com elas, que priorizassem nossa relação como eu priorizo. Mas não posso cobrar isso delas, e me policio pra não ficar pegando no pé, dando uma de carente, pentelha e inconveniente. Adianta?!! Eu mesma, confesso, já negligenciei amizades de pessoas que sabia gostarem muito de mim. É chato, é injusto, mas é verdade. E, se elas viessem me cobrar atenção ou reciprocidade, eu até que não lhes tiraria a razão, e refletiria, e talvez tentasse corrigir, mas meu sentimento não iria mudar de uma hora pra outra. Dá pra entender? Não quero soar fria ou coisa assim, mas tenho tentado observar as coisas sob uma lente racional.
Por outro lado, aprendi também o quanto é bom resgatar relações que já achava desgastadas e sem futuro. O quanto é gostoso retomar, inesperadamente ou não, o contato com alguém já distante e descobrir que ambas as partes se comprazem com o re-encontro. 'Ouvir' o sorriso do outro lado de uma linha telefônica, sentir a alegria sincera, perceber que o sentimento ainda vive nas duas partes, só estava ali meio perdido por causa das idas e vindas dessa vida doida... Talvez eu pareça tola e sentimental, mas se eu tentasse representar esse sentimento com algo, seria um imenso balão colorido, subindo e dando ao céu mais cor e calor, e às pessoas mais encanto pela vida (santa cafonice!).
O tal balão talvez também se aplique àquelas relações que se mantém vivas, acesas, independentemente do tempo ou da distância - relações de confiança plena, de sintonia mesmo (sabe, 'transmimento de pensação' e coisas assim?). Mas acho que nesse caso nem o balão seja uma boa representação, seja muito pouco pra um sentimento desses. A isso eu tenho chamado de amor (não achei palavra melhor), e me preenche de tal forma com coisas boas que nem me chegam as palavras.
E como não falar daquelas pessoas com quem a gente não convive tanto, mas sabe que são especiais? As pessoas com quem você quase nem conversa, mas sente uma afeição enorme. Ah, como é bom tê-las na sua vida, saber que elas estão ali! É ter sempre um carinho por perto, mesmo que não seja tão perto assim.
Talvez eu ainda passe por outras situações, experimente outras coisas, aprenda mais e veja as coisas de modo diferente um dia. Mas por enquanto estou assim: sentindo muito que a vida desbote algumas relações, mas alegre porque ela também está colorindo e recolorindo outras.
Não sei se tem muito a ver, mas encerro com uma citação que achei na agenda de uma amiga (adooooro agendas com frases diárias!):
"Lealdade é uma atitude muito mais ampla e mais comprometida do que a fidelidade. Ser leal é estar junto, é brigar por, é dar o ombro, é dividir alegrias e tristezas, é não julgar, é ter a liberdade de estar sem precisar ter, é cumprir sem prometer, é voltar sem ter ido. A lealdade não exige reciprocidade, nem exclusividade. Também não estabelece gênero ou número. Nem admite meio-termo: a gente é leal ou não é."
(Euza Noronha)
quinta-feira, 19 de março de 2009
Sobre nem sei
***
"Amar verdadeiramente alguém é acreditar que, ao amá-lo, se alcançará uma verdade sobre si. Ama-se aquele ou aquela que conserva a resposta, ou uma resposta, à nossa questão 'Quem sou eu?'" (Jacques-Alain Miller, psicanalista)
Essa eu guardo pras minhas discussões intermináveis com a Giu. Pra quando a gente fala o que sente, e fica tentando analisar pessoas e relações. Pros momentos em que eu conto pra ela meus acessos sentimentalóides, e ela me entende, e depois a gente fica um tempão desfiando idéias e hipóteses sobre o amor e suas variantes. =)
***
Não gosto da postura dessa tal de Mallu Magalhães. Não posso e nem vou criticar seu trabalho musical - não o conheço e, mesmo que conhecesse, não teria conhecimento técnico suficiente pra analisar. O que eu não gosto é da postura mesmo, do jeito dela perante a mídia.
Até pouco tempo, eu só tinha ouvido falar no nome dela e visto algumas fotos. Há uns meses, me deparei com uma entrevista dela na Rolling Stone, e fiquei decepcionada. Essa tentativa dela de ser/parecer cult é simplesmente ridícula, assim como esse ar sonso-infantil que ela faz. Ela me parece toda forjada, entende? Pegue um violão, fale coisas pseudo-filosóficas com um ar de vaga pureza, faça uma cara doce e pronto! Não, não gostei de jeito nenhum. Acredito, sim, que ela seja bem inteligente. Mas precisa se portar desse jeito?
Pra piorar, domingo ela fez uma participação no "Mosaicos" da TV Cultura, sobre o Caetano Veloso, cantando 'Leãozinho'. Gosto tanto dessa música! Não esperava que fosse achar tão ruim. Fraco, bobo, irritante. Mais que isso: pretensioso. Uma pena.
***
"Sua presença me faz rir
Nos dias feitos pra chover
Não há revolta pra sentir
Nem há milagre pra não crer"
(Pétala por pétala - Chico César)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Sobre vaidade
(Livro do Eclesiastes 1:2)
A menininha chega à escola, põe sua lancheira rosa-choque ao lado da carteira e nota que já há um bilhete ali, com um coração desenhado. Infla-se toda. Ele não é namorado dela, claro que não, ela não quer namorar com ele. Lê rapidamente, como se não importasse muito, e o bilhete some dentro da mochila dela, como se houvesse sido tragado por um triturador de lixo.
Se saem juntos da escola e se despedem - ele sempre com um beijinho tímido no rosto dela - a mãe dela fica falando no carro sobre como ele é uma gracinha.
Está certo, ele é diferente da maioria dos meninos que ficam enfiando o dedo no nariz. Ele gosta de conversar e fazer gentilezas e elogios a ela. E ela não 'desgosta' dele, na verdade, mas não gosta que pensem que ele é seu namorado. Ela não namora com ele!
Mas em casa, abre a mochila sem ninguém ver e leva o bilhete ao 'esconderijo'. Ainda relê o bilhete do dia com mais atenção antes de guardá-lo junto a tantos outros, deliciando-se menos com as palavras do que com a intenção. Os bilhetes, as flores de papel, as embalagens de bombons, são todos prova do quanto ele a adora - e ela não é tão fútil para expô-los como troféus, então guarda num fundo de gaveta, num misto de intimidade e massagem para o ego.
Ela chega na escola, entra na sala e olha direto para sua carteira, com expecativa. Não há nada. Já faz uma semana que não há nada. Como assim?
Eles ainda conversam às vezes, ele ainda é um menino legal, mas já não fala em namorar com ela e nunca mais deixou bilhetes. Tem conversado com outra menina, aliás, uma que usa um monte de enfeites no cabelo. E, se não falha a memória, havia um bilhete em outra carteira dia desses.
Ela não chora, não faz tipo de mulher traída. Eles não namoravam, claro. Mas remói aquilo por dias, analisando os bilhetes, se perguntando o que será que ele escreve para a menina de cabelos enfeitados. E os observa, e se olha no espelho pensando que, se também pusesse umas borboletinhas no cabelo, talvez os bilhetes voltassem. E espera, todo os dias, que ele se lembre que é dela que ele gosta de verdade, e que era o nome dela que ele escrevia dentro dos corações de lápis de cor.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Na sala de aula
V - É, Maroca, tem coisas que nem Freud explica!
L - EBAAA! CHAT! xD
F - EEEE eu também tô =D
M - É, mas eu fico com a cabeça cheia de minhoca!!
E - oiii, eu tô no chat também!
L - EI! Você aí! De onde tc? =P
F - Eu também tenho minhocas na cabeça
M - Sei lá o que dizer! Apenas que o bumbum do Guga não ficou tão legal com essa calça!
E - eu concordo!
oi! sou morena, baixinha, tc de SP, e também tenho minhocas na cabeça, e você?
V - Realmente com outras calças já ficou melhor...
Também tenho minhocas na cabeça, aliás muitas minhocas
L - Eu tc de SP! Não sei como sou, nem sei o que vai nesta cabeça... =/
Mas o Guga continua fofo! x)
F - Morena baixinha de SP? Eu conheço uma de Sorocaba.
p.s.: O Guga é gostoso xD
E - na minha cabeça passam coisas q eu não posso falar! rs...
eu conheço também, gata essa menina né? rs
M - Não dá pra falar COF COF COF COF
V - Ela é tão gata assim, também quero conhecer de perto. Morena, altura mediana de SP. O Guguinha é fantástico
L - Guuuuga! Guuuuga! Alguém conhece uma tal de "gostosa"?! =/
F - [sobre "morena baixinha de Sorocaba":] feinha, coitada =/
[sobre a "gostosa":] eu conheço! "A Gostosa"
[sobre "o que passa na cabeça":] coisas que eu não ouso confessar =/
M - COF COF COF...
E - Gostosa? claro que eu conheço, todo mundo conhece a gostosa! hahaha
Guga lindo!
V- Dã, claro que eu conheço a GOSTOSA... ficam falando dela o tempo todo...
Guga lindo demais!
L - Gostosaa, gostosaa! xD
[sobre "coisas que eu não ouso confessar":] EITA! Olha a pornografia!
E - Pornografia, onde? Eu quero ver também!
M - COF COF COF COF
V - Ei, não escondam de mim
L - Nas minhocas do Felipe! Opaaa!
F - Opaa... é cada minhoca...
M - COF COF COF
E - Minhoca, obaaa! rs! tá todo mundo bixado eee
vocês vão mesmo na parada?
V - Eu já vi a minhoca do Fê
L - Claro q vou na parada!
E viva as cobras do Fê! hahahaha
F - Vamos virar a folha...
Eu vou na parada! =D
M - COF COF... eu também =D
E - Só eu não vi a cobra do Fê ainda?
ai, eu não vou na parada!
V - Ah, seus maus, eu quero ir na parada!
L - AEEE! EU VOU!
A Ellen vai pegar a cobra do Fê, é isso?! =O
F - Num é assim também, minha cobra num vai na mão de qualquer um não... eu cuido bem dela!
VAAAI! Vamo todo mundo para a PARADA =D
M - COF COF
E - eu vou na parada eeee...
mas eu não vou pegar a cobra do Fê não, só falei que eu não vi ainda! e eu também não sou qualquer um não, viu! num quero pegar cobra nenhuma!
L - Sei, sei! Até parece q não! =P
Resolveu ir, é?
F - Hahaha... COF COF COF
E - Resolvi sim! eee...
não quero mesmo não... essa mini-cobra aí
L - ó lá, tá desafiandooo! essa Ellen tá querendo, hein! =P
V - Safadaaa
E - não tô querendo nada! pára gente! rs... não vou falar mais não! tô sendo mal interpretada!
M - TÔ COM FOME!
L - De novo c/ fome?!
V - Gulosa...
M - Mas eu ainda não comi!
L - Relaxa, Mari, já já a gente vai comer!
E a Ellen disfarça... hahahaha! ;D
M - Li, o que podemos comer? idéias...
E - Vocês falando tá me dando fome, mas eu tô pobre! tem que ser barato! snif
...
[O 'bilhete', escrito em 17/06/06 numa aula de Linha de Apoio, foi transcrito de modo que a conversa pudesse ser entendida]
sábado, 29 de novembro de 2008
Sobre antigas criações
***
Uma cadeira de balanço. Um senhor inclinado para o toca-discos, imerso em lembranças da juventude. Raios de sol penetrando a escura sala e o frio coração de um solitário. Alguns amigos, um reencontro e o brilho dos olhos. O chiado das folhas das árvores chacoalhadas pelo vento. Um velho bicho de pelúcia sobre a cama, com o ar de quem já compartilhou dos sofrimentos e alegrias da jovem apaixonada. Um cãozinho entretido com a borboleta azul. O aroma familiar da comida da mãe invadindo os pulmões e o coração dos filhos que retornam à casa. Um botão de rosa. O silêncio interrompido apenas pelo ruído do lápis no papel e pelo palpitar do coração do jovem escritor. A espera ansiosa pelo amanhã. O desespero de uma mulher traída. O toque suave de mãos femininas acariciando o homem amado. Um gato estirado ao sol num dia de inverno. O tempo, implacável, voando veloz e incessantemente. A descoberta da cura, um sorriso de alívio. Um grito na noite. Os olhos de uma idosa, que revelam mágoas, alegrias, força e a convicção de que sempre há mais a ser aprendido. Libélulas brincando sobre um lago sereno. Uma criança com medo. Uma prece. Crianças atentas aos sábios ensinamentos do professor, que leciona com amor. Um bebê adormecido. Gargalhadas na cozinha de uma família feliz. A viagem dos sonhos. Lágrimas contidas, pela ausência do ente querido. O milagre da vida. A luz avermelhada do sol poente sobre um casal comum. Anjos colorindo a manhã. O cuidado da mãe com seus filhotes. Cortinas ao vento. Uma bolha de sabão.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Sobre a separação
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente"
(Soneto de Separação - Vinícius de Moraes)
"Eu tenho muito medo de as nossas vidas ficarem tão diferentes que a gente não tenha mais o que conversar. Medo de que a gente pare de se procurar. Medo de um dia me dar conta de que a gente não tá mais junto"
(em conversa com a Vones)
Num post antigo,eu comentei um medo que eu tinha de esquecer das pessoas que eu amo. Hoje eu estou certa de que não vou esquecê-las, mas me deparo com uma nova agonia: o medo da separação. Não da separação abrupta, que deixa abertas feridas ardentes de tanto sentimento. Da separação morna, que vai esfriando, esfriando, e daí um dia, de repente, você nota que ela já aconteceu.
Não sei se a distância, ou o tempo, ou a vida fazem as coisas serem assim. Não sei por que essa separação acontece com algumas pessoas e não com outras. Só sei que não devia ser assim.
É triste perceber que amores e amizades podem estar se tornando meras lembranças. É triste pensar que relações aparentemente sólidas se desmancham e escorrem por entre os dedos. É triste notar que os rostos do presente podem virar rostos do passado.
Eu luto contra isso, eu tento lutar. Mas às vezes parece que sou tão fraca frente à força dos acontecimentos...
sábado, 22 de novembro de 2008
Sobre os besouros/ETs
os bichinhos voadores marrons crocantes voltaram, e suspeito que não sejam mesmo ETs. Tampouco cupins, Dani! São besourinhos mesmo, mais ou menos como este:
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Sobre injustiça
Eu sei que o mundo e as pessoas estão cheios de problemas, mas cada vez que me dou conta de que eles estão muito próximos de mim e, ao mesmo tempo, abissalmente distantes, eu levo um choque. Repensei todos os milhões de injustiças que acontecem todos os dias há bem pouco tempo, por causa de um acontecimento aparentemente banal que me cruzou o caminho.
Explico-me: na quinta-feira, enquanto esperava pra embarcar no ônibus pra São Paulo, o rapaz à minha frente apresentou a passagem ao motorista, que disse, apontando pra passagem: "O senhor tem que preencher aqui antes de entrar". O rapaz foi um pouco para o lado, saindo da fila, mas continuou olhando pro motorista com um ar meio vago, sem saber direito o que fazer. Ele, claramente, não sabia escrever. Logo o próprio motorista foi ajudá-lo, e depois as pessoas continuaram embarcando normalmente - a maioria sem nem saber o que aconteceu naquele breve instante. Eu sentei em meu lugar, ajeitei minhas coisas e tal... mas a expressão do homem não me saía da cabeça, junto com um bocado de questionamentos e inconformidade. Perceber que existem milhões de pessoas que passam por mim todos os dias que não conseguem nem escrever o próprio nome foi assustador, por mais que eu já soubesse disso.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Sobre a visita extraterreste
-Mas como é que você sabe que não viu? Você não sabe em que forma eles vêm! Vai ver estava na nossa cara o tempo todo!
-É, pode ser...
-Ow... e se forem os bichinhos crocantes?
-Que bichinhos crocantes?
-Aqueles que eu disse que apareceram em bando na noite de segunda, lembra?! Não fui só eu que vi... e, parando pra pensar, esta noite eles não apareceram...
-Sério?
-Uhum... então deu três dias certinho. Bem que eu achei aqueles bichos estranhos!
-Mas, os ETs iriam vir em forma de inseto?! Que burros!
-Burros por quê? Eu diria que é muito bem pensado: é uma manifestação que todo mundo nota - um monte de insetos diferentes aparecendo de repente - mas não dá tanto medo nas pessoas como as aparições "tradicionais"...
-Até aí sim... mas é burrice vir como inseto porque aí eles morrem aos montes!
-Bom, isso é mesmo. Eu mesma matei dois ontem com o maior prazer.
-Então... os ETs não iam vir em forma de inseto pra a gente matá-los.
-Ué, e como você sabe? De repente a aparição é só pra eles se fazerem notar... vai ver a dimensão física não importa tanto pra eles, porque eles já estão mais evoluídos.
-Pensando assim, até que pode ser...
***
O mais divertido em ter idéias malucas é achar quem as compreenda! ;P
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Sobre (e contra) a Reforma Ortográfica
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma. "Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos. Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa. É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever "ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro, porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque, quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder" no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou "receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado, no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la? Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
(Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da COPEVE/UFMG.)
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Sou péssima pra títulos...
Na loucura em que se vive hoje - com mil coisas pra ver, ouvir, falar, decidir, fazer, pensar - às vezes parece que as pessoas perdem a sensibilidade. Mais que isso, esquecem de olhar o lado belo das coisas, pelo simples e fraco pretexto da falta de tempo.
Hoje de manhã, por exemplo, quem viu as teias de aranha cheias de orvalho? Quem reparou que, no fim da tarde, havia nuvens rosadas espalhadas pelo céu azul, numa visão digna de pintura renascentista? Quem vê os passarinhos felizes e as folhas das árvores radiantes depois da chuva? Tanta coisa que está na nossa frente todos os dias, mas pouca gente percebe. Pouca gente se permite perceber. Preferem esperar as férias, onde tudo vira motivo pra admiração. Por que?
Por que as pessoas tiram fotos do pôr do sol na praia, mas sequer olham para o sol se pondo no dia-a-dia? Por que elas vêem tanta graça nas aves que sobrevoam os campos, mas nunca repararam que há famílias de pássaros brincando nas árvores pelas quais passam diariamente? Por que fazem fogueiras sob o luar, mas nem lembram que existe lua quando voltam pra casa à noite?
Pensei, pensei, mas não consegui achar nem sinal de resposta. Tem gente que me acha estranha por enxergar tudo isso, por querer que os outros também enxerguem, e por ficar questionando tanto - me olham como se eu fosse um bicho exótico, ou como se eu precisasse de uma camisa de força. Mas é que eu não entendo como as pessoas podem ficar tão imersas na sua neurose a ponto de esquecer que existe tanta vida em volta. Reclama-se tanto da desumanização que a vida urbana traz, mas as pessoas é que se lançam nisso, sem nem titubear. Fala-se que a vida está ruim, que o tempo é curto, mas a vida e o tempo são o que se faz deles.
Não entendo, realmente, como as pessoas querem salvar a humanidade, a natureza, o planeta, querem mudar o mundo mas não chegam nem a tentar mudar coisas sutis em suas próprias vidas. Não entendo por que as pessoas só se dão conta de que existe beleza em torno de si na viagem de férias ou, pior, quando essa beleza já está sufocada, esquecida, ameaçada por essa cegueira insana que tomou conta da dita civilização.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Passos adiante
E hoje eu voltei pra casa com uma carteirinha provisória, telefones de veteranos, e-mail "@usp.br" e tudo... e estou achando lindo =P
Não que sair de casa e ir morar a mais de 300km de distância tenha sido, algum dia, objeto de desejo na minha vida. Mas parece que as coisas estão indo bem, não estou com aquele medo, aquela insegurança esquisita que eu já experimentei antes (e há pouco). E, depois de tantas tentativas e tanta dúvida, sentir que as coisas estão tomando um rumo é bastante confortante.
***
Depois de uns bons anos de amizade, começo a perceber como a gente cresceu (!). A gente se reúne como antes (embora com menor freqüência, infelizmente), dá risada como antes, repete alguns assuntos de sempre. Mas agora, engraçado, aparecem assuntos novos, e a gente até parece gente grande (!!) falando de futuro, de casa, carro, filhos até (embora os planejemos para um futuro relativamente distante, claro), e de como estamos ficando velhas (!!!)... hahahahaha
A Giu fez falta, óbvio. Mas estamos confiantes de que ela melhore logo e possamos nos reunir, todas, o quanto antes.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
O Retorno da Múmia =O
Enfim, a imagem surgiu, eu a espantei e me peguei a pensar no que ia escrever pra reinaugurar meus escritos. Mas a múmia resolveu me perseguir. Eu divagando por entre idéias, sentimentos e tal, e a múmia aparece caminhando num canto, com aquele andar robótico. Por que será que elas andam daquele jeito? E por que elas sempre têm ataduras soltas nos braços? E, aliás, por que elas (bem como toda sorte de outros mortos-vivos) sempre andam com os braços para frente?
Uma vez eu acordei no meio da noite com um dos braços erguido para o alto, que nem múmia quando vai levantar, e não sei até hoje como ele foi parar lá. Eu sonho bastante, mas atos sonâmbulos nunca foram minha praia.
Bom, mas de volta às múmias, ainda vou aprender como elas fazem pra levantar daquele jeito: todas eretas (uuuuuuh! hahahaha, esse cursinho!!!), os braços sempre adiante do corpo. Sem apoio nenhum! Sem nem ao menos dobrar os joelhos pra ter impulso. Fabuloso! Mas deve exigir uma musculatura poderosa - e cadavérica, já que eu só vi mortos-vivos fazerem isso. Acho que quando eu morrer vou tentar.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Ser Brotinho (Paulo Mendes Campos)
Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.
É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. Ser brotinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar sonso-vagaroso, abraçada a uma porção de elepês coloridos. É dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e natural. É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.
Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento exato de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois cruzeiros com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.
É telefonar muito, estendida no chão. É querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. É fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento, pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.
Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite e sem roupa, completamente. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.
É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. É ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do Porto e ter dado um vexame modelo grande. É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.
Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado ballet e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gatinho magro que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue-jeans. Ter horror de gente morta, ladrão dentro de casa, fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. Eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. É fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. É policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar songamonga de quem nada vê, nada ouve, nada fala.
Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.
Texto extraído do livro “O Cego de Ipanema”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 15.
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Divagações...
Era pra ser uma dissertação, mas só saiu isso...
Não era bem o que eu queria, mas... Eu gostei, e está aí.
Eu que fiz! ;D
Devaneio
Tantos sonhos brotam de uma cabeça jovem.
E, depois, como se perdem?
Mas... se perdem? Ou a gente é que os esconde?
Tão escondidinhos e apertados num canto
Que a gente às vezes dá com um pedaço atrevido saltado pra fora
E olha com nostalgia, até com certa esperança.
Mas aí o trem pára, a gente diz "Ah, que bobagem!"
E vai trabalhar.
***
Esta semana foi meu aniversário... =)
18 aninhos!!
Primeiro teve bagunça no cursinho, depois reunião de família... Comi muito bolo, pizza, pavê... muita coisa gostosaaa xD
Bom demaaaaaais!!!
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Lá vou eu (Rita Lee/ Luiz Sérgio)
Num apartamento perdido na cidade
Alguém está tentando acreditar
Que as coisas vão melhorar ultimamente
A gente não consegue ficar indiferente
Debaixo deste céu
No meu apartamento
Você não sabe o quanto voei,
O quanto me aproximei de lá da terra
As luzes da cidade não chegam às estrelas
Sem antes me buscar
Na medida do impossível
Tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo
O amor é imprevisível como você, e eu, e o céu
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A setembrite já me ataca.
Eu já sou uma estudante cansada, carente, irritada, com a auto-estima oscilando mais pra baixo que pra cima. Instável, enfim!
Espero que não evolua!!!
Eu já me sinto mal o suficiente assim!
Tenho pena das pessoas à minha volta... Me perdoem, por favor!
Eu estou fazendo tudo o que eu posso pra contornar, pra conter isso!
Conto com a compreensão de todos.
Qualquer hora dessas eu volto ;)
domingo, 10 de setembro de 2006
The same old stuff
Como quem ouve uma sinfonia de silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e sons...
Tem certas coisas que eu não sei dizer" (Lulu Santos/Nelson Motta)
"Eu só quero que você me queira...
Não leve a mal" (Os Mutantes)
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Hoje entreguei o formulário de inscrição da Fuvest.
Que medo!!
No final preenchi o campo da carreira com Medicina mesmo - não consegui pensar em mais nada pra pôr...
E, de certo modo, concluir a incrição me aliviou um pouco.
Quero dizer, ainda tenho receio de ter me enganado, mas agora já foi! O que não tem remédio, remediado está! =)
Espero ter tomado a decisão certa...
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Fotolog atualizado também (com dúvidas existenciais e vazios pseudo-filosóficos - ninguém merece!!)
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"(...)[pareço ser segura]; no fundo, sou frágil, incerta, descontrolada." (Clarice Lispector)
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
=)
Made your song take wing
And now, how you repaid me:
Denied me and betrayed me.
He was bound to love you
When he heard you sing" (in The Phantom of the Opera)
Certas coisas me parecem tão injustas... E me deixam com raiva, meio triste... Mas não sei bem dizer. Será que certas coisas nunca mudam mesmo?
E, se for, o que é que eu faço com a minha esperança? Uma esperança meio derrubada às vezes, apertada no meio de tantas outras coisas que eu carrego em mim, mas que, apesar de tudo, ainda resiste lá no fundo, se levanta e me faz acreditar que as coisas podem ter um fim melhor. Então, o que é que eu faço com ela? Luto por ela, luto contra ela?
Vou procurando respostas...
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Dias, semanas, meses inteiros me dedicando a algo que eu não sei bem o que é. O que é que eu faço da minha vida? E se eu me perder nessa decisão? E se eu errar, se eu me enganar, se eu tropeçar?
Eu estou mantendo a calma, mas tenho medo. Tenho medo.
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Obrigada ao Alê pelo papo rápido sobre "vocações". A insegurança não sumiu (e será que algum dia vai?!), mas eu me sinto um pouco mais confortada agora. =)
E, a propósito...
Obrigada às pessoas que entenderam a minha ausência, minha distância.
Obrigada às que entendem, principalmente, que isso não faz com que eu as ame menos.
Obrigada àqueles que estão passando por tudo isso junto comigo.
Obrigada aos que - apesar da correria, da insegurança, da confusão emocional - percebem que as coisas não são fáceis, mas que com compreensão e amizade tudo pode se tornar melhor pra todos.
=)
quinta-feira, 13 de julho de 2006
Quanto tempo!!!
Mas semana que vem, férias!!! E como eu estou precisando...
Mas, hoje, só um desabafo (como diria o fofíssimo Jordy!)
[Pode até nem parecer, mas eu preciso ouvir às vezes o quanto você gosta de mim. E, mais, preciso sentir isso.
Ultimamente tenho sentido isso tão pouco.
Me sinto por vezes invisível, tamanho o descaso em algumas situações...
Achei (e acho às vezes ainda - será?) que você, no fundo, não se preocupasse realmente com o que sinto...
Eu tenho tanto medo... Tanto medo...]
domingo, 30 de abril de 2006
Porque a música parece ter um poder de redenção, uma força que nem sei.
Canto, canto, canto...
"Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece: como não fui eu que fiz?
Certa emoção me alcança, corta minha alma sem dor
Certas canções me chegam como se fosse o amor"
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E você nem sabe o quanto eu me preocupo...
E você nem imagina o quanto isso me aflige...
Você não faz idéia de como é difícil pra mim.
Mas talvez... talvez você saiba, você imagine, você faça idéia de tudo isso...
Mas talvez nem ligue.
E acho que isso... ah, acho que isso é o que mais me preocupa.
O que mais me aflige.
O que torna as coisas ainda mais e mais difíceis.
Será?!
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"I'm looking for a song to sing. I'm looking for a friend to borrow"
sexta-feira, 17 de março de 2006
Quase uma hora de transporte público na ida.
Carteiras absurdamente desconfortáveis.
Horas e horas de estudo, ao qual eu não estou nem um pouco acostumada.
Mais de uma hora de transporte público na volta.
Preparar lições e speech pro inglês.
Ter energia pra ir pra academia (minha coluna e meus joelhos agradecem quando eu o faço!).
Imagina só, pra quem não fazia absolutamente nada há uma semana, pra quem nunca soube o que era estudar horas a fio, pra quem tinha horas e horas livres, o que significa esse novo ritmo de vida. É o meu caso.
A partir daí, fica fácil imaginar o meu estado. Mal deu 22h e eu já estou caindo de sono - manter os olhos abertos é um desafio. Minha pouca atividade social está ainda mais reduzida. Meus músculos, minha coluna, meus olhos, meu cérebro: está tudo meio inerte, implorando por descanso.
Não que só haja desvantagens. As aulas são fantásticas, gostei muito dos professores, estou conhecendo gente legal, bebendo mais água (*rins muito alegres*), aprendendo a estudar pra valer... E passar por isso com o Fê e a Vani é realmente uma dádiva.
Não tenho mais tanto tempo pra dedicar a outros amigos, que não me acompanham nessa luta diária que é ser vestibulando (ai... saudade de tanta gente!). Estou numa canseira danada. Mas estou feliz com as aulas, com tudo.
Eu chego em casa com aquele ar fatigado, o cansaço estampado no rosto. Mas não é cansaço puro e simples. É uma sensação engraçada - mistura de cansaço com uma ponta de orgulho, de alegria por saber que eu, desta vez, estou me esforçando pra superar minhas próprias expectativas. Ai, isso me deixa tão feliz!!! :oD