terça-feira, 27 de julho de 2010

Sobre a viagem - Introdução

2010. Terceiro ano da faculdade de Medicina. Pela primeira vez em ânus anos, eu teria direito a um mês de férias de inverno. Um mês inteirinho, desde que escapasse das recuperações.
Mas isso não seria problema, eu disse pra minha mãe. Afinal, agora o curso estava mais tranquilo e mais interessante - se eu não peguei rec no 2º ano, que foi o fundo do poço, não seria agora. Então, pode marcar a viagem.

Ideias pra cá, roteiros pra lá... Disney? Cuba? Canadá? Leste Europeu? China? Eu recebia mensagens da minha mãe, logo cedo ou no meio da aula, me fazendo perguntas difíceis como: "E aí, Disney ou Cuba?". No fim, pela compatibilidade de calendários e tal, decidimos pelo Leste Europeu.

Viagem marcada, ocupando até o último dia das minhas quase-longas férias. Provas feitas, notas que não saíam, aquele medo cão de um deslize me deixar de recuperação (quando suas notas são medianas, o menor deslize as torna insatisfatórias, ou seja: rec).
-Mãe, eu não sei se deu pra tirar 5. Comofas?
-Ah... não dá pra remarcar a passagem, então você vê o que dá pra fazer, faz a rec antes, sei lá. Na pior das hipóteses, você cai de turma, ué.

Oo

Enfim, escapei (com certo louvor, até) das recuperações, e lá fomos nós. E eu, desta vez, munida de um caderno de notas.

Desde que me lembro, minha mãe faz uma espécie de diário de viagem: leva um caderninho onde anota os lugares que vimos e suas respectivas histórias, algumas curiosidades, informações úteis (câmbio, despesas, cornograma cronograma etc) e até as encomendas do DutyFree.

Este ano, resolvi aderir à ideia. Caderninho e caneta à mão, fiz minhas notas aparentemente aleatórias sobre lugares, pessoas e comidas, além de ter à mão os endereços dos amigos e um lugar para brincar de forca/stop/jogo-da-velha com a família nas horas de tédio.

Não pretendo ser chata a ponto de narrar detalhes sobre cada um dos minutos que passei viajando. Mas também não quero fazer como o Alvaro que, além de não tirar a foto que me prometeu, acabou não postando nada sobre a viagem que fez.

Liviagens, não é esse o nome? Pois bem, aqui vai mais uma! ;)

domingo, 20 de junho de 2010

Sobre o (meu) domingo

(sem coerência, coesão ou qualquer preocupação literária/discursiva. Fiz mais pra desaguar a vontade de digitar sem fim, sem pensar.)

Domingo com cara de domingo. Sem Faustão e Fantástico, grazadeus, mas com cara de domingo. Um pouco modorrento, coisas pra fazer e pouca vontade. Louça, livros, bagunça, pijama. Tudo atrasado, mas é domingo, me deixa curtir este ócio vazio e nem tão prazeroso.

Amanhã eu vou pra casa. Mamãe tá com saudade. E eu também tô.
Mas meu fim-de-semana não foi de saudade, como eram os fins-de-semana em Ribeirão, no começo. Hoje é o 14º dia que eu passo aqui, direto, e não me sinto torturada e nem tô em contagem regressiva. Eu passo muito tempo aqui em casa, sem fazer nada, mas isso não me consome e eu não quero ir embora correndo pra São Paulo. Eu tô bem. É a minha casa, agora, e não só meu dormitório.

Teve jogo do Brasil. E eu não vi, porque não tô a fim de ver nada desta Copa. Nada mesmo. Tô num bode absurdo desse clima. E eu não encho o saco de ninguém dizendo que a Copa é uma inutilidade sem fim, que só é mais um pedaço da política do pão-e-circo e blablablá. Porque também tô no maior bode desse discurso pseudo-intelectual. Acho ótimo que as pessoas se divirtam, e também me sinto no direito de não achar isso divertido e preferir ficar na minha casa curtindo meu marasmo.
Me perguntam se eu vou ver o jogo, e eu digo que não. Porque não pretendo, ué. E me olham como se eu fosse uma aberração, como se fosse doença grave e contagiosa. Não, não, acho que contagiosa é essa histeria aí. Gente dirigindo loucamente, barulho demais, fixação.
Claro que nem todo mundo está realmente nessa vibe futebolística: eu tenho (todo mundo tem) muitos amigos que só fazem disso um pretexto pra se reunirem e tal. Mesmo assim, eu prefiro ficar. Eu, meus hambúrgueres, minha Coca-cola. Arranjem outro pretexto, arranjem uma reunião sem pretexto, e eu posso pensar em ir. Pois é, como sou antissocial. Tá, e daí?

Minha mãe tinha razão quando disse que eu não podia ficar muito tempo morando sozinha. Eu já sou bicho-do-mato, e ainda agora tenho uma toca só minha. Mas me deixa aqui, agora. Você sabe que eu não sou sempre assim. Todo mundo tem seus dias assim ou assado, e estes dias eu quero só ficar comigo. Numa boa.

Também não gosto quando vou me reunir com amigos que não vejo há muito tempo e sugerem cinema. Pô, a gente tem só uma tarde em milênios pra ficar juntos e vocês querem passar metade dela em uma sala sem nem poder interagir e conversar? Desculpa, só gosto mesmo de ir no cinema com gente que eu vejo sempre. E mesmo assim, só se eu estiver no clima e/ou achar que o filme vale a pena.

É, eu sou muito antissocial. Mas não fico fingindo que tenho coisas pra fazer, que estou com dor de cabeça. Eu digo "Não, não tô a fim". E não sei se é bom ou ruim - acho que isso me faz menos hipócrita tanto quanto me faz mais antissocial.

Minha mãe tinha razão. E talvez ele também tenha razão (desde os tempos em que eu nem morava sozinha): eu sou uma velha rabugenta. Mas você sabe que eu não sou sempre assim, então me deixa aqui. Comigo. Com minha Coca-cola. Numa boa.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

(drama) sobre o ponto final

Abriu os olhos e encarou o teto: será que foi real? Repassou mentalmente, em uma fração de segundo, os acontecimentos da noite anterior e teve certeza de que não havia sido apenas outro sonho ruim - a ligação ainda registrada no celular e até as colheres sujas de sorvete na pia atestavam que a realidade era mesmo aquela. E agora? Fechou os olhos, tentando não pensar e aproveitar os minutos de sono que lhe restavam. Em vão, é claro: encolheu-se, estirou-se, revirou-se na cama até que o despertador inclemente avisou que um longo dia começava. 

Banheiro, cômoda, geladeira, celular. Pensou em colocá-lo no bolso, acabou jogando na mochila: não precisava mantê-lo à mão - agora, não tinha mais nada pra mandar ou pra esperar. Não mais. Mochila nas costas, fones nos ouvidos. Música atrás de música, tentando encontrar algo que se encaixasse, mas nada parecia se encaixar.

Aulas, colegas, sorrisos sociais. Chegou a hora do almoço e ela vagou por entre os prédios e por entre as pessoas, desorientada. Não sabia onde ir e com quem, não sabia o que fazer com o próprio tempo. Almoçar, talvez? Parecia uma ideia razoável, mas só de pensar nela seu estômago se revirou como não fazia há muito tempo - como se o fato de sua mente estar digerindo algo já exigisse esforço demais.

O dia foi passando, lentamente. E a cada minuto ela se pegava pensando nele, querendo contar dos acontecimentos do seu dia, esperando que ele fizesse contato ou, magicamente, aparecesse no fim do corredor. E a cada minuto, a Razão dentro dela dizia: "Não, você não deve mais pensar nisso". Ah, que ódio daquela Razão censurando-a, como se fosse fácil não pensar, não querer, não esperar!

Foi um dia longo, e mais longas ainda seriam as horas que precederiam seu sono: a certeza dolorosa de que o boa-noite não viria, a Imaginação colocando-o na cama ao seu lado (e a Razão violentamente levando-o dali para muito longe), os pensamentos desenfreados, o corpo encolhido sobre si mesmo, as lágrimas quentes no rosto,... Ela dormia sozinha toda noite mas, naquela em especial, parecia sobrar mais espaço na cama (e menos, muito menos espaço na sua cabeça). E, de uma maneira estranha, o frio de maio pareceu ser pior naquela madrugada.

As madrugadas continuaram frias, assim como as canções, como as paixões e as palavras manhãs e finais de tarde... Mas ela foi se acostumando, devagar, com a ausência - ainda que às vezes o universo parecesse se organizar todo só pra que ela lembrasse dele. No início, mesmo as lembranças boas (ela, afinal, teria alguma lembrança realmente ruim?) lhe remetiam ao vazio que ele tinha deixado, e doía. "Por quê?", ela se perguntava incessantemente, procurando algo no céu de brigadeiro.

Ainda que ela conseguisse uma resposta justa, isso não mudaria os fatos. No fundo, ela sabia que a maldita Razão tinha lá sua razão: o que ela tinha a fazer era aceitar. E aceitou, aos poucos, confiando nas mãos do Destino e sem se arrepender de suas próprias escolhas. E aprendeu a cultivar a saudade em sua forma mais gostosa, que é a certeza de que valeu a pena cada momento.

"E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou"

domingo, 13 de junho de 2010

Sobre cultura inútil

-Alt, me responde uma coisa, você que sempre sabe de coisas inúteis...

-Ah, valeu, Marcelo!

-É verdade! Acho que você vai saber me responder isso: por que é que os macaquinhos atiram cocô nas pessoas?

-Hm, não sei... Mas sei que os babuínos fazem isso mais do que outros macacos!

- Oo

-É por isso que, no Zoológico, eles ficam atrás de vidros, e não de grades!

-Hahahaha, tá vendo... Você nunca me decepciona =p

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sobre a beleza

Eu me dirigia à minha carteira pra mais três dias de vestibular quando a vi. Ela estava sentada, lendo, à janela - e na minha lembrança parece que o sol a iluminava brandamente, mas talvez seja só poesia da minha memória. O corpo de proporções ideais dentro da simplicidade do jeans e regata, os cabelos negros e cacheados emoldurando um dos rostos mais belos que eu já vi. Ela se dirigiu a alguém e eu pude ver seus olhos muito azuis e seus dentes perfeitos. E, até que minha prova começasse, eu não consegui fazer outra coisa senão contemplá-la.


Mais do que a simples beleza - que ela tinha de sobra e parecia nem se dar conta - ela tinha, não sei, algo de muito encantador. E eu quis até dizer pra ela que a achava muito bonita (não disse, porque pensei que ela ia achar muito estranho e/ou inconveniente). Mas, mais que isso, eu quis ser como ela. Porque, assim, eu aturdiria àquele vinha me atordoando. Eu achava que, com aquelas feições, eu lhe seria irresistível e o deixaria deslumbrado do mesmo modo como eu o vira deslumbrar-se com outras. Tolices, tolices...


Hoje, ainda, eu às vezes acordo com vontade de ser estonteantemente bela. Dessas belezas de comercial de absorvente, que andam na rua com vestidos esvoaçantes e dão torcicolo em todos os homens pelos quais passam. E penso que, se cuidasse um pouco da minha aparência, eu até poderia atrair alguns olhares. Mas isso não basta - nesse dias eu queria era parar o trânsito mesmo, no maior estilo sou-uma-diva.

Outras vezes, eu me pego desejando ter outro tipo de beleza (que nem sei se pode se chamar assim): aquela aura encantadora que certas pessoas têm e fazem a gente se apaixonar por elas no primeiro sorriso. Uma espécie de beleza doce que parece ter nascido com elas e que eu sei que nunca vou ter, apesar do meu esforço diário. Uma beleza que enternece, e faz sorrir e pensar em como é bom estar presenciando aquilo.


E, por vezes, ainda conservo um pouco da tolice de tantos anos atrás, e perco milissegundos acreditando que talvez a aparência seja o problema e que, se eu acordasse milagrosamente diferente, talvez ele me notasse como eu gostaria. Tolices, ah, tolices...

"Passa
Como que nua
Calma
Finge que voa
Brasa
Chama na areia
Bela
Como eu queria


Magra, leve, calma
Toda ela bela
Tudo nela chama "


(Magra - Lenine/ Ivan Santos)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sobre o frio, e mais

Eu sei, 22°C não é exatamente friiio. Mas sentir os dedos endurecerem de frio em Ribeirão Preto em princípios de abril não faz o menor sentido, garanto. E eu olhei o céu e senti o ar frio e úmido e pensei quase com nostalgia: "Que dia mais paulistano..."

- Mas você não é de São Paulo? Devia estar acostumada, em São Paulo faz frio...
- Faz, mas em São Paulo pode! mas lá eu estou preparada pro frio, então é bom. Aliás, lá a gente sempre está preparado pra qualquer tempo, em qualquer dia.

E aí eu me lembro de ir pro cursinho vestindo jeans, tênis e uma camiseta fresca, um casaco não muito quente mas não muito leve, um prendedor de cabelos e um guarda-chuva (tá, eu não vestia o guarda-chuva, eu o levava na mochila, mas você entendeu) porque eu passava o dia todo muito longe de casa e "na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível como você e eu e o céu" (Lá vou eu - Rita Lee/ Luiz Sérgio Carlini).
Quando, hoje, sob os 22°C que já esfriaram minha casinha, eu senti os dedos da mão direita muito gelados (e os pés começando a esfriar muito também) e pensei que eu ainda tinha que lavar louça, eu me lembrei imediatamente da garrafa que minha mãe me trouxe com uns 200mL de conhaque dos bons - e só o cheiro já me aqueceu os pulmões (obviamente, eu precisei de algo mais que o cheiro pra aquecer mãos e pés e nariz). E me decepcionei comigo mesma por não ter comprado leite - porque eu vou sair de estômago vazio de novo amanhã de manhã, mas principalmente porque um choconhaque cairia muito bem agora, mas não tenho como fazer.

***

Às vezes as pessoas só precisam de um tempo pra pensar. Tempo pra decantar os sentimentos, apaziguar as dúvidas, ficar um pouco mais dentro de si - ainda que isso custe ficar um pouco menos do lado de fora. E eu entendo isso, e respeito - mesmo que me dê certa angústia e eu fique me roendo por dentro, preocupada, querendo oferecer ombro e ouvidos e conforto, aliviar o peso, compartilhar. Mas, eu sei, às vezes a gente não precisa ou não quer compartilhar. A gente só quer um tempo pra se reorganizar e poder continuar vivendo.
E, entendendo isso e respeitando profundamente, eu dou um tempo. E tento mostrar, do jeito que eu sei, que eu estou ali se a pessoa precisar ou quiser ombro e ouvidos e conforto, aliviar o peso, compartilhar, e se ela não precisar. Não sei se dá certo. Sei é que fico com um medo danado de dar tempo demais, medo de que a distância segura que eu tomo pra não forçar a barra acabe se tornando uma distância intransponível.

"Medo que dá medo do medo que dá"
(Miedo - Lenine/ Pedro Guerra/ Robney Assis)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sobre o encanto

Preciso perder essa mania de te procurar pelos lugares com o canto dos olhos, te identificar com minha visão periférica e fingir (pra mim, pra você e pro mundo) que não te vi - e ainda assim não tirar os (cantos dos) olhos de você.
E preciso perder também a mania de admirá-lo tanto (com o canto dos olhos, ou mais que isso) e acabar admirando até coisas que não fazem o menor sentido, como o jeito como a barra da sua calça repousa sobre o seu tênis. Preciso me vigiar pra manter os pés no chão quando seus olhos me sorriem, e pra não derreter com seus gestos e suas expressões e suas palavras mais banais. Exagero meu, claro. De qualquer modo, preciso parar de regredir aos doze anos cada vez que você está por perto.
(Dezembro - 2009)

Das primeiras vezes em que sonhei com você, pensei que precisava parar com isso também. Mesmo no sonho eu me sentia culpada, sabia que aquilo não podia ser, e acordava me recriminando por sorrir, o dia todo, por causa de um sonho bom e que eu nem podia contar pra (quase) ninguém. Não demorou muito pra eu estar convencida de que, ora essa, pelo menos no sonho eu podia estar livre de censura (incluindo a minha) e gozar da sua companhia, e da liberdade que só os sonhos dão. Seja num abraço, num carinho, num beijo, ou numa conversa leve e despretensiosa...
Acho que meus lapsos pré-adolescentes já são bem mais raros, hoje - embora eu ainda sinta uma certa agitação gostosa em certos momentos, e perceba que o encanto não mudou completamente de intensidade e forma. Mas a ponderação e maturidade diurnas afrouxam durante o sono e, ali, eu não tenho a ansiedade e cobrança de me manter impassível perto de você, não preciso me vigiar. Eu posso simplesmente relaxar, rir com leveza, me aproximar o quanto quiser, deixar as coisas seguirem seu curso onírico... E acordar tranquila porque, pelo menos em algum lugar, eu não preciso pensar nas consequências, eu não preciso pensar em nada - só sentir, ser, acontecer.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sobre letras de músicas

No cursinho, minha carteira era fácil de reconhecer: no fim do dia, era a que estava escrita de ponta a ponta. Uma ou outra conta, raros desenhos, quem sabe uma citação ou pergunta sem resposta... e muitas, muitas letras de músicas. Ou trechos, pelo menos - com palavras destacadas por razões diversas. Eram músicas que não me saiam da cabeça, que eu acabara de conhecer, que eu não ouvia faz tempo, ou que representavam, naquela hora, parte do que eu pensava e/ou sentia.

Hoje, o máximo que sobrou disso foram os pedaços de música espalhados pelo caderno ("Ué, Alt, você não está copian... ah, tá, é música ¬¬"). E aí deu vontade de resgatar - não exatamente da mesma forma, mas enfim, taí ;)

"You have come here
in pursuit of your deepest urge,
in pursuit of that wish, which till now
has been silent...
Silent...

I have brought you, that our passions
may fuse and merge - in your mind
you've already succumbed to me
dropped all defences
completely succumbed to me
now you are here with me:
no second thoughts, you've decided...
Decided ...


Past the point of no return -
no backward glances:
our games of make-believe are at an end...
Past all thought of "if" or "when" -
no use resisting:
abandon thought,
and let the dream descend ...

What raging fire shall flood the soul
What rich desire unlocks its door
What sweet seduction lies before us?

Past the point of no return
The final threshold
What warm unspoken secrets
Will we learn
beyond the point of no return?

You have brought me
To that moment when words run dry
To that moment when speech disappears
Into silence...
Silence...

I have come here,
Hardly knowing the reason why
In my mind I've already imagined
Our bodies entwining
Defenseless and silent,
Now I am here with you
No second thoughts
I've decided...
Decided...

Past the point of no return
No going back now
Our passion-play has now at last begun.

Past all thought of right or wrong
One final question
How long should we two wait before we're one?

When will the blood begin to race
The sleeping bud burst into bloom
When will these flames at last consume us?

Past the point of no return
The final threshold
The bridge is crossed
So stand and watch it burn
We've passed the point of no return."

(The point of no return - The Phantom of the Opera)

http://www.youtube.com/watch?v=qBYoarsGLXc

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sobre lugares marcados

Durante minhas incontáveis (li)viagens de ônibus (no trajeto Ribeirão-São Paulo, principalmente), já cansei de ver pessoas sentando em lugares que não compraram. Alguns por engano mesmo, normal. Muitos, pela velha Lei de Gérson ("Gosta de levar vantagem em tudo, certo?") - resultando na cena já usual: o sujeito chega e se senta confortavelmente à janela e, logo mais, o constrangido 'dono' do lugar chega e, sutilmente, indica que há um equívoco, ao que o 'esperto' responde com uma cara cínica e uma troca de lugar. Acho, sinceramente, o constrangimento desnecessário e evitável, com um pouco de educação.
Primeiramente: se você quer sentar perto da janela, compre um assento perto da janela (eles custam o mesmo, fikdik, mas em geral é preciso comprar com um pouco mais de antecedência). Não deu? Fique no lugar que você comprou e, depois que o 'dono' do lugar chegar, peça gentilmente pra trocar e explique a razão (náuseas, um amigo sentado ao lado, sei lá). E, se ele não quiser, paciência - é direito dele.
Quando os cinemas de São Paulo começaram a vender ingressos com lugares marcados, li algo sobre as pessoas desrespeitarem as marcações. A matéria em questão mencionava como o sistema funcionava bem, por exemplo, na Alemanha, onde as pessoas permaneciam em seus lugares mesmo que o cinema estivesse vazio e houvesse, eventualmente, um lugar que parecesse melhor do que o que lhes cabia. Eu não acho que seja necessário ser tão radical, e não sou o tipo de pessoa que advoga a superioridade anglo-europeia sobre a cultura brasileira, não mesmo. Digo mais: os europeus ainda têm muito o que aprender conosco - em matéria de amabilidade e até higiene, entre outras coisas. Mas essa cultura de respeito e disciplina (obtida à custa de educação e mesmo fiscalização efetiva e punição, em certos casos), despida de 'jeitinhos', é algo que ainda falta a muitos de nós, infelizmente.

(Mas não troco isto aqui, com todos os defeitos, por lugar nenhum! prontofalei)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sobre o sonho

Esta noite eu tive um sonho bom, com acontecimentos felizes - e, estranhamente, acordei com vontade de chorar. Ah, saudade, saudade, saudade...

***

Um monte de gente em um lugar aberto, parecia uma assembleia ou algo assim. Algumas pessoas cantavam uma música meio ao longe, e então eu soube que era um evento do pessoal da PUC - ainda que o lugar me lembrasse o campus da USP em Ribeirão Preto. Sentei-me, em uma das muitíssima cadeiras na grama. Logo, eu vi que em uma das cadeiras atrás de mim estava ele - com aquela blusa esverdeada e sua cara de bom moço. Nos vimos, nos falamos, nos abraçamos, sorrimos. Eu olhava pra ele, e tocava seus ombros pra me certificar de que ele estava mesmo ali. Ah, como eu estava feliz em revê-lo!


Depois de sentarmo-nos novamente pra assistir ao que estava acontecendo naquela assembleia/palestra/whatever, eu lembrei:

- Eu estou te devendo...
- O meu abraço de aniversário!

Eu sorri, e ele estendeu os braços.
Um longo abraço. Eu o abraçava com uma espécie desespero, como que para não perdê-lo nunca mais:

"Muitas, muitas felicidades pra você, sempre.

Eu amo você...
pra sempre!

Eu tive muito medo - eu ainda tenho - de não te ver nunca mais, desse distanciamento não ter mais volta..."


Dito o que eu precisava dizer há muito tempo, eu o abracei mais forte - e, quando acabou, ele me olhou com seu olhar paciente e confortante, como quem diz que eu não precisava me preocupar: ele estava ali como se sempre tivesse estado.

Saímos, encontramos outras pessoas, conversamos mais. E concordamos: algo, sei lá, na conversa tinha mudado - mas é que o tempo passa, a vida de cada um vai mudando, e era natural que as coisas não fossem exatamente como antes. Eu me sentia bem na sua companhia, como sempre, e era isso que importava.

"Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã...
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes, amanhã...
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol"

(Nada será como antes - Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

'Adeus, ano velho!'

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa
outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente... (...)"


Doze meses? Não, eu tenho quase certeza de que 2009 teve mais que isso... uns 30, quem sabe!
Eu sei que, lá por abril, quando todo mundo só estava aquecendo os motores, eu já estava exausta e, a partir daí, fui empurrando o ano va-ga-ro-sa-men-te com a barriga. O que, certamente, não é algo legal de se fazer - especialmente depois que você percebe que podia e devia estar se esforçando e, mais que isso, se importando um pouco mais.

Sabe o tradicional balanço de fim de ano, quando você repensa sua vida e seus objetivos e suas realizações e tudo o mais? Pois bem, eu tive um monte deles ao longo de 2009. E, ainda assim, sempre tinha muuuito 2009 pela frente.
Eu me perguntei sempre quando é que um ano deixa de ser ano novo e passa a ser ano velho. Ainda não descobri, exatamente. Mas sei que 2009 envelheceu muito cedo.

Mas, depois de muitas expectativas e medos e superações e frustrações, eis que finalmente eu posso me sentar folgadamente e assistir à chegada de 2010, que já está logo aí.


Em geral, eu não gosto muito desses clichês de fim de ano, não - com algumas exceções, como os jingles da Globo (que eles estragaram este ano) e da Varig (que não passa mais D=). Mas é que 2009, como disse a Bê, já deu! Por sorte, eu tive bons amigos que me ajudaram a tornar mais fácil e alegre este ano tão longo e difícil!

"You make it easier when life gets hard"
(Lucky - Jason Mraz)

"Day after day I must face a world of strangers where I don't belong
I'm not that strong
It's nice to know that there's someone I can turn to who'll always care
You're always there

So many times when the city seems to be without a friendly face
A lonely place
It's nice to know that you'll be there if I need you and you'll always smile
It's all worthwhile"
(I won't last a day without you - The Carpenters)


Então, que venha 2010, com os doze meses habituais, por favor ;)
E que traga bons amigos, boa saúde, bom humor e boa sorte a todos! ^^


"(...)
Para você,
Desejo o sonho realizado
O amor esperado.
A esperança renovada.

Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos
desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a
cada minuto, ao rumo da sua felicidade!"


(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 14 de novembro de 2009

Sobre os retalhos

Postagem nº 50! Em quase 4 anos de blog (é isso?!), dá cerca de um post por mês... É, eu gostaria de ter mais tempo pra escrever.

Em comemoração (?!), este post gigante com alguns recortes desta vida doida... Que, aliás, não têm que fazer sentido. Eu não faço, afinal.

"Que fique muito mal explicado
Não faço força pra ser entendido
Quem faz sentido é soldado!"
(Carlos Moreira)

E sigo Liviajando... ;)

***

"Tudo o que cala
Fala mais alto ao coração
Silenciosamente
Eu te falo com paixão
Eu te amo calado

Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e sons
Tem certas coisas que eu não sei dizer"
(Certas coisas - Lulu Santos/ Nelson Motta)


Às vezes fico revivendo tudo o que a gente passou, todos aqueles momentozinhos mais banais que a sua memória possivelmente já descartou, e que a minha ainda acalenta. E me lembro das vezes em que nos abraçávamos de leve, ou nem isso - só ficávamos muito perto um do outro, com os rostos muito próximos - e permanecíamos quietos, de olhos fechados, sentindo a respiração profunda um do outro. Muitas vezes nós fomos só uma confusão de mãos e bocas, e talvez por isso mesmo é que esses silêncios sejam incrivelmente marcantes. Mas desconfio que não seja só por isso. Porque, afinal, há tantas outras marcas...

"Não quero seu suor
Quero seus poros na minha pele
Explodindo de calor"
(Sentidos - Zélia Duncan/ Christian Oyens)


Gosto de encontrar seu cheiro na multidão sem rosto, e lembrar de nós dois imersos num mar de gente tensa e desconhecida. As mãos dadas, os corpos muito próximos - porque o lugar era apertado e cheio de gente, mas não só por isso - e a impressão de que minha força e minha leveza só estavam ali porque você também estava.
Gosto de sentir o seu cheiro nas minhas roupas, na minha pele, como se fosse você quem estivesse saindo pelos meus poros. Me faz sentir mais sua, mesmo que eu não o seja de verdade. E eu fico sentindo-o em inspirações curtas, na tentativa patética de gozá-lo ao máximo, mas poupá-lo pra que ele não desapareça de mim e você permaneça na minha pele por mais tempo.

"Quanta saudade brilha em mim
Se cada sonho é seu
Virou história em sua vida
Mas prá mim não morreu
Lembra, lembra, lembra, cada instante que passou"
(Tristesse - Milton Nascimento)


***

"Estou aqui
Mas esqueci
A minha alma num hotel
Meu coração na caneta
Meus desejos no papel
Eu vinha sem retrovisor
Um rosto estranho me chamou
E a minha pele não me coube mais
A sorte veio e me encontrou
Na corda bamba do amor
Meus dias nunca mais serão iguais

Estava ali
E confundi
Pensei que fosse o céu
O azul do mar me chamou
E eu pulei, de roupa e de chapéu
A onda veio e me levou
Desse lugar e agora eu sou
Uma ilusão, a solidão é meu troféu
Aquela foto amarelou
O riso no meu camarim
Felicidade bate à porta e ainda ri de mim"
(Pensei que fosse o céu - Vander Lee)


***

Dia desses me peguei com muita, muita saudade do Júlio, professor de Literatura. E saudade doída, dessas que a gente sente quando alguém muito próximo se vai - e essa proximidade nunca existiu de fato, o que faz a saudade não ter muita razão de ser, mas isso realmente não importava.
Lembrei de ter comentado com minha mãe, dias antes dele morrer repetinamente, do quanto eu queria assistir sua palestra d'O Cortiço este ano, porque o Júlio era o melhor contador de histórias que eu já conheci e O Cortiço era uma das suas melhores aulas. E aí doeu, porque eu queria muito vê-lo de novo, nos corredores e no tablado, mesmo que ele nem soubesse quem eu era.
Então lembrei da expressão tranquila enquanto me perguntava "Tá feliz?", e me peguei rindo sozinha de suas frases, sua interpretação, seu jeito de falar... E me lembrei do sonho que tive, alguns dias depois de sua morte (quando eu ainda estava entre incrédula e inconformada), em que ele aparecia e, com seu ar sereno, dizia que estava de passagem e precisava ir, mas que eu não me preocupasse porque ele estava bem.

Julião no Céu - Plajuliesco de Manuel Bandeira
(por Fabio Liberal)

Julião gordo
Julião doce
Julião sempre de bom humor

Imagino Julião entrando no céu:
- Tá feliz, São Pedro?
E São Pedro, contentão:
- Ai, carai, agora é que vai ficar bão!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sobre o medo (por Cecilia)

"Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar

Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá"

(Miedo - Lenine / Pedro Guerra / Robney Assis)


Cagona

(por Cecilia Odainai)

Uma das qualidades que mais odeio em mim é o medo. É foda até de assumir. Mas sou medrosa, cagona, e isso tudo influencia nas minhas indecisões, que não só são muitas como são todas!

Esse medo de errar, de parecer imperfeita me atam. Esse medo de me exibir, de escrever num blog pra ser julgada por um e outro. Esse medo de arriscar uma nova carreira porque pode dar errado. Esse medo de ir atrás da felicidade, mesmo que ela não seja uma finalidade, mas sim uma busca eterna.

Medo de não ser marcante, medo de marcar demais.

Conheci o termo “bad trip” quando me entorpeci. Eu sinto que a bad é constante, mesmo nos momentos caretas. Mas por sorte, ignorada na maioria das vezes.

Por que me esconder num personagem engraçado, bobagento, com aquelas sacadinhas que todos gostam de ler? Porque não dá pra ser triste. Ninguém aguenta as tristezas de ninguém. Tristeza só da IBOPE na TV.

Assumir as fraquezas, as falhas de personalidade é arriscado. Porque elas para os olhos dos seus espectadores têm que ser invisíveis. E então fazemos questão de abafá-las.

Um dia, disse para um chefe: não vou sozinha visitar o cliente, sou insegura. Você tem que ir comigo até eu me acostumar. Depois disso uma colega fazia questão de repetir essa minha confissão: “você é insegura. E eu não!”.

Sei lá se é essa sociedade competitiva que nos fez ficar assim ou se sempre fomos assim. Nesse caso da minha ex-colega, o excesso de confiança dela se converteu a uma fraqueza também. De cagadas homéricas nunca assumidas a mentiras ditas dela para ela mesma.

E o que fazer com meu medo? Ainda não sei. Mas pensei em escrever pra vocês.

Agora estou nua, mostrando minhas vergonhas. Pode apontar e rir


[p.s.: Eu até tinha pensado em comentar algo a respeito do texto - porque ele é tão eu, que eu não achei que poderia simplesmente não dizer nada. Mas, dizer o quê? Cecilia disse tu-do!]

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sobre o(s jogos) que eu não sei

Eu não sei jogar gamão. Não é só não saber jogar. É não fazer ideia de nada, dos objetivos, dos movimentos. Nada. Um completo mistério na minha vida, o gamão. Mas sempre achei que tudo bem, porque ninguém joga gamão mesmo, a não ser pessoas com vocação pra mordomo, então não deve ser interessante.
Eu também não sei jogar buraco, ou mesmo a maior parte dos jogos que utilizam baralho francês (que eu achei que era americano, mas descobri que é francês. De qualquer modo, estou mais habituada com o baralho espanhol). Mas buraco é pior não saber, porque todo mundo sabe. Nada pra fazer? Junta a família e os amigos pra jogar buraco. Não a minha: a minha joga escopa e belisca (que a internet chama de bisca, e é capaz q esteja certa, porque na Galicia se fala tudo errado).
Truco. Todo mundo joga truco. Todo mundo já passou por inúmeras mesas com um grupinho sentado, batendo na mesa e gritando "seeeeis!". Na minha escola teve até mesa(s) quebrada(s) certa(s) vez(es). E, desde o segundo colegial, várias pessoas tentaram me ensinar a jogar - mas acho que tenho algum parafuso a menos e não consigo apreender as regras, os valores, os objetivos do jogo.
Pôquer. Ahh, de pôquer eu já tive alguma leeeeeve noção, quando tinha uns doze anos de idade. Mas até a leve noção se foi. Droga. A Tapioca conta que o pai dela joga pôquer com os amigos semanalmente, e que sabe jogar desde pequena por conviver nesse ambiente (e aí eu imagino uma sala enevoada pela fumaça de cigarros, com uma mesa no centro e quatro homens com ternos risca-de-giz e chapéus de gângster jogando cartas com ar misterioso, iluminados por uma lâmpada baixa como aquelas de mesas de jogo. E uma japonesinha, de óculos e vestido rosa de babados, interessada no andamento do jogo). Enfim, não sei jogar pôquer também.
Sinuca também é algo além da minha capacidade, tenho certeza. Sou um verdadeiro desastre e, depois da última performance vergonhosa há mais de um ano, eu desisti até de tentar. Mas esse, pelo menos, eu consigo entender a ponto de poder torcer. =)
E não sei jogar um monte de outras coisas, claro. Mas o que mais me incomoda, sempre, são os jogos de baralho que todo mundo sabe menos eu. E o gamão, que tem cara de ser muito sério e misterioso, quase tão lord quanto críquete - que é outra coisa que não sei jogar (assim como golfe, tênis, pólo, vôlei e um milhão de outras coisas), mas que não me importa em absoluto.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sobre pequenas grandes lições

"Alguns não conseguem afrouxar suas próprias cadeias e, não obstante, conseguem libertar seus amigos. Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?"
(Assim falou Zaratustra - Friedrich Nietzsche)


sábado, 26 de setembro de 2009

Sobre os olhos

"Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus resolvem se encontrar
Ah, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar"
(Pela luz dos olhos teus - Tom Jobim/Vinícius de Moraes)


"Foi assim como ver o mar
A primeira vez que meus olhos
Se viram no seu olhar"
(Todo azul do mar - Flávio Venturini)


Eu queria escrever sobre seus olhos. E sobre quando eles me sorriem. E, pensando bem, eu queria poder (saber) escrever sobre tudo o mais: sobre os cabelos, os dentes, os braços, as costas, os pés... E as ideias, as atitudes, as palavras... E sobre este estado quase ridículo de admiração que tudo isso, e mais tantas outras coisas, me causam.
Mas ainda estou, não sei, entorpecida...
Como ao ver o mar Egeu em Mykonos, com inúmeros tons de azul e verde e densamente azul-marinho no fundo (foi lá, aliás, que eu soube exatamente o que era azul-marinho, marinho mesmo). Eu poderia ficar ali olhando, admirada, por dias inteiros.

Queria escrever sobre seus olhos. Mas antes preciso (quero) mergulhar neles mais uma vez. Mais uma vez...

domingo, 13 de setembro de 2009

Sobre os ETs e os montes

.: Meg/Bombs :. diz:
pronto, escrevi do disco voador [que vimos nesta tarde. Inegavelmente um disco voador. Dois, na verdade. Mas o segundo talvez fosse só um avião mesmo]
cuidado essa noite, nós somos testemunhas oculares
~Lívia~ diz:
verdade
acho que vou colocar no twitter: se eu estiver estranha amanhã, foram os ETs. fujam para as montanhas!
.: Meg/Bombs :. diz:
hahahaha não é pros lagos?
~Lívia~ diz:
não
"Run to the hills
Run for your lives"
.: Meg/Bombs :. diz:
hahahaah não conheço
mas acredito
aaah a gente já mora no monte alegre
é um monte
e é alegre
sobreviveremos

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sobre super-poderes (?)

Primeiramente, claro, eu queria poder me teletransportar. Pra poder jantar em casa na sexta (ou em qualquer outro dia), passear em São Paulo sem ter que encarar o trânsito caótico, visitar os amigos sempre, enfim: me locomover à vontade sem ficar à mercê das condições de tráfego, da distância, do clima, da carona, do transporte público, da boa-vontade (alheia e própria), etcétera, etcétera.
E queria que, de algum jeito, eu pudesse conjurar uma imagem do que estou pensando sempre que me desse vontade. Igual aquelas 'lousas virtuais' de que se fala na tevê, interativa e tudo mais. Pra quando eu quiser falar naquele ator que não sei o nome e que só fez uma ponta em uma novela antiga, eu projetar a imagem dele no ar e as pessoas (geralmente minha mãe) dizerem: "Aaaaah, sei". Ou pra quando eu quiser reproduzir um sonho que tive, ou uma situação pela qual passei, ou outras tantas situações que eu imagino.
Como complemento a essa função, eu queria também que meus olhos pudessem tirar fotos e gravar vídeos - porque não é sempre que dá pra sacar o celular, e mesmo quando dá, nem sempre fica do jeito que eu queria que ficasse (que é o jeito como eu vejo).
Eu queria uma espécie de Ctrl+F nos livros, porque toda vez que eu procuro determinada passagem importante, ela some das minhas vistas.
Eu queria ler pensamentos. Na verdade não sei se queria, tenho medo do que alguns deles poderiam revelar. Mas o House disse que "É melhor saber do que não saber", e provavelmente ele tem razão. Ou talvez eu queira mesmo é ser telepata - ainda não sei se é exatamente a mesma coisa.
Eu queria poder ficar invisível e etérea, pra poder observar as pessoas sem que elas soubessem disso. E, talvez, eu não esteja tããão longe disso. Em certos momentos, eu tenho certeza de que ninguém me vê, e fico assistindo as agitações humanas como um alienígena que chegou ontem e está tentando entender algo daquilo tudo que lhe parece tão estranho.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre impulsos

"Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Ah, bruta flor do querer!
Ah, bruta flor, bruta flor..."
(O quereres -
Caetano Veloso)

[Le coup au cœur - René Magritte]


"Bem ou mal
Tudo se mistura
Tudo é natural
Prazer e tortura juntos"

(Bem ou mal -
Vânia Abreu)

De repente, você repara que está fazendo tudo exatamente do jeito errado. E não porque seja inocente ou incauta: pensou milhões de vezes sobre o que fazer, e não encontrou muitas respostas, mas acabou sabendo perfeitamente o que não devia ser feito.
E aí está você, ainda presa nessa velha história mal-resolvida, e cada dia mais fundo. Procurando corda pra se enforcar. Provocando situações e reações que, racionalmente, sabe que devem ser inibidas; minando relações que quer, a todo custo, preservar. E isso tudo pelo simples motivo de deixar acontecer, de ver até onde essa história chega - esperando ansiosa e inconsequentemente pelo clímax, mesmo sabendo que ele pode ser o final. Tudo por puro... instinto.

Pergunto-me até quando isso vai durar e onde é que vai parar, quando a resposta é uma só e aparentemente muito simples: quando eu quiser.

Como se fosse fácil assim.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sobre o cansaço, e mais

Às vezes dá vontade de simplesmente ficar na minha - nada mais de ficar ligando pra cá e pra lá e ajeitando horários e pensando em programas pra encontrar os amigos. Não porque eles tenham me chateado, irritado, enjoado... Tampouco porque tenha que usar meu tempo e criatividade pra pensar em propostas e convites e ficar enviando e-mails e mensagens - isso eu faço com o maior prazer. Mas porque depois de tantos furos, tantos migués, tantos encontros que não deram certo, tem hora que eu também canso.
Mas passa.

***

Eu tinha pensado em mais umas oito músicas pra colocar aqui, que eu tinha esquecido por pura pressa. Mas agora elas já não parecem tão importantes, com exceção de uma:

"E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena
Mas você não vale a pena"
(Não vale a pena - J. e P. Garfunkel)

É bem provável que, futuramente, eu volte e coloque as outras sete e mais algumas até. Mas, por enquanto, a Maria Rita me basta.