domingo, 7 de junho de 2009

Sobre romantismo

"Só você sabe à custa de que sacrifícios; no íntimo sou frágil, incerta, descontrolada."
(Clarice Lispector, sobre sua aparência segura, em carta a Fernando Sabino)

Todo mundo sabe que eu não tenho a menor paciência pro nhenhenhém que costuma permear as relações amorosas (ou coisa que o valha). Não mesmo. Daí, quando a Camila me perguntou se eu me achava romântica, eu nem pensei duas vezes: "Não!". Afinal, o clima água-com-açúcar nunca me agradou - a romântica da turma é oficialmente a Cindy, enquanto eu sempre fiz mais o gênero mulher-forte-segura-inteligente-independente-etc-e-tal. Feminista, feministíssima, não dá pra negar.
Mas aí a Giu veio me lembrar das nossas sessões noturnas de terapia online, e das confissões e reflexões sentimentais que sempre fazemos juntas (e que inclusive foram tema de boa parte da nossa conversa naquele dia, as always), das músicas entoadas dramaticamente e das conversas intermináveis para contar e interpretar todas as histórias de relacionamento possíveis, concretas ou não. Tudo isso coroado por um: "Ah, e vem dizer que não é romântica? Claro que é!". E eu simplesmente não tive como discordar.
Até acrescentei, dizendo dos planos de formar uma família, das crenças sobre amor, cumplicidade, lealdade, dos inúmeros medos e incertezas... E descobri que, no fundo, também sou uma mulherzinha (Oh, holy shit!). Com limites, claro (ah, bom!), e muitíssimo bem disfarçada sob a minha (não tão) sólida armadura de valquíria.

5 comentários:

João Pedro disse...

Eu já sou o oposto. O típico, não q isso seja típico, homem guiado pelos amores, voltado à paixão, à entrega de corpo e alma. Fico bobo às vezes perante uma mera demonstração de afeto, fico tonto só de receber um carinho amoroso. Desejo, sinto, quero. Viví em função disso mto tempo, poea nas horas vagas (q eram mtas), mas o mundo amoroso me forçou a usar uma armadura, q diferente da sua, me proteje ja hora d vdd. Qnt td desmorona, td da errado, o coração gela, vira pedra e eu saio como c nunca tivesse existido amor.

É bom, amo até um limite, mas dali pra frente não passo mais. Mas é ruim, amo até um limite, mas dali pra frente não consigo passar mais. Depois dmto calegado criei minha carapuça anti queda, mas minha impedimenta anti amores eternos.

Meg disse...

aaah pelo menos vc chegou a uma conclusão! e eu que não faço idéia de como andam minhas tendencias românticas (ou não)? acho que isso me custaria muitas conversas reflexivas, mas me falta tempo, inspiração e pessoa apta para a discussão =P
digamos que eu me achava romântica até eu descobrir que eu não era, até eu descobrir que eu parecia, até eu descobrir que não parecia tanto assim, até eu chegar a conclusão de q aparências enganam, ou não.
resumindo: concluo que nada foi concluído

Anônimo disse...

Mulherzinha!

Anônimo disse...

Mas, sabe, acho que no fundo os nosso dois cromossomos X impedem que a gente seja completamente não-romântica. Eu também tenho toda essa armadura e talz, mas também tenho meus sonhos sobre o amor, e opiniões e devaneios e muitas coisas mais... Enfim. No próximo alinhamento astral que você ficar em Ribeirão, a gente faz uma Girl's Night e eu JURO que não capoto pra poder ir e a gente ter conversas filosóficas sobre o romantismo e assuntos correlatos

=**

Alvaro Rosa disse...

Hey, eu sou romântico...
Pra que usar uma armadura contra a paixão, contra o amor... São coisas ótimas! Podemos nos machucar? Claro que podemos, assim como em tudo na vida. Se usarmos armaduras para não nos arriscarmos, nunca iremos aproveitar com todo a nossa alma as oportunidades que aparecerem.
Por isso digo a vocês, nobres cavaleiros, que dispam suas armaduras e se entreguem as paixões que a vida nos oferece, e se as coisas saírem errado, bola pra frente que atrás vem gente.