segunda-feira, 15 de junho de 2009
Sobre o não-texto
Aí lembrei de palavras rabiscadas em uma folha de borda azul, na noite de ontem - palavras que saíram naturalmente, sem pensar, porque tinham que sair, porque eu não parava de pensar nelas e, pensando tanto, meus estudos e meu possível sono ficariam ainda mais prejudicados. Texto natural e sincero, que talvez não seja tecnicamente muito bom, mas é bom porque sou eu em cada sílaba, em cada pausa. Minha caligrafia mal escrita, minhas palavras mal pensadas, meus sentimentos mal resolvidos.
Mas não cabem aqui, ainda não. Já tive coragem, esculpida duramente ao longo do tempo, pra assumi-los e enfrentá-los, mas ainda não o suficiente para expô-los.
Então sobrou só um texto vazio. =/
domingo, 7 de junho de 2009
Sobre romantismo
(Clarice Lispector, sobre sua aparência segura, em carta a Fernando Sabino)
Todo mundo sabe que eu não tenho a menor paciência pro nhenhenhém que costuma permear as relações amorosas (ou coisa que o valha). Não mesmo. Daí, quando a Camila me perguntou se eu me achava romântica, eu nem pensei duas vezes: "Não!". Afinal, o clima água-com-açúcar nunca me agradou - a romântica da turma é oficialmente a Cindy, enquanto eu sempre fiz mais o gênero mulher-forte-segura-inteligente-independente-etc-e-tal. Feminista, feministíssima, não dá pra negar.
Mas aí a Giu veio me lembrar das nossas sessões noturnas de terapia online, e das confissões e reflexões sentimentais que sempre fazemos juntas (e que inclusive foram tema de boa parte da nossa conversa naquele dia, as always), das músicas entoadas dramaticamente e das conversas intermináveis para contar e interpretar todas as histórias de relacionamento possíveis, concretas ou não. Tudo isso coroado por um: "Ah, e vem dizer que não é romântica? Claro que é!". E eu simplesmente não tive como discordar.
Até acrescentei, dizendo dos planos de formar uma família, das crenças sobre amor, cumplicidade, lealdade, dos inúmeros medos e incertezas... E descobri que, no fundo, também sou uma mulherzinha (Oh, holy shit!). Com limites, claro (ah, bom!), e muitíssimo bem disfarçada sob a minha (não tão) sólida armadura de valquíria.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Twitter vs. Blog
Vamos lá... por quê? Sinceramente ainda não sei. Andei bisbilhotando twitters alheios recentemente, e pensando em fazer um, mas logo mudava de ideia. Até que um dia não mudei, e fiz! Mas não tinha objetivo nenhum em mente quando o fiz. Simplesmente fiz.
Ainda estou me acostumando com ele, e não vou dizer que é algo suuuuper legal (pelo menos até agora). Mas me mantém relativamente informada sobre a cultura inútil que circula por aí, e me permite alguns desabafos sem precisar de inspiração como no blog. Obviamente é mais uma fonte de motivos para não estudar (shame on me!).
Mas, fique claro, não penso em trocar o blog pelo twitter de jeito nenhum! Como já mencionei, o twitter é mais pra trocar cultura inútil e fazer desabafos superficiais. No blogue me permito viajar mais - e agora é que me dei conta: o blog e o fotolog são 'liviagens', enquanto o twitter é simplesmente 'liviaces'. A coincidência não foi pensada, mas é bem pertinente.
domingo, 24 de maio de 2009
Sobre mim
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua."
(Martha Medeiros)
***
Rendi-me, afinal, ao Twitter. Mas não pergunte por quê!
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Sobre praticidade
-Ué, Mari, veio de mochila hoje?
-É, é que eu vou dormir na casa de Fulana, então ficava mais fácil assim. Mas acho que vou usar mochila todo dia agora!
-Gostou, foi?
-Ah, é tão prático!! É bom carregar tudo e ainda ter as duas mãos livres!
Achei engraçado, na ocasião, ela ter demorado quase 20 anos pra descobrir a praticidade da mochila, da qual eu sou adepta desde sempre. Claro que já tentei a combinação bolsa-fichário (e mesmo nesse caso, minha bolsa era estilo mochilinha), mas assim que comecei a usar transporte coletivo com frequência, constatei que o esforço de equilibrar-se com as mãos ocupadas é totalmente dispensável. Claro que mochila não é um acessório elegante, mas ninguém aqui está dizendo que você tem que ir de mochila a um casamento. Estou falando de praticidade, e eliminar as pequenas complicações ajuda um bocado no cotidiano (de um estudante, pelo menos). Além disso, acho demais os executivos na Paulista vestidos de social e usando mochila. O máximo!
A propósito, quase não vejo mais aquelas latas de 250mL de refrigerante que foram lançadas um tempo atrás pela Coca-Cola. Tão boas! É difícil eu comprar refrigerante em lata, porque sempre acho que 350mL é muita coisa, e fiquei feliz quando lançaram a menorzinha. Mas agora só encontro na padaria aqui perto de casa (que também tem aquelas garrafinhas de vidro de 200mL, melhores ainda!).
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Sobre colo
Nowhere else on earth I'd really rather be
(...)
And when I hold you, babe, babe
Feels like maybe
Things will be alright"
(Only yesterday - The Carpenters)
Eu quero muito um abraço agora. Não exatamente um abraço, na verdade. Quero me aninhar nos braços de alguém, e me sentir acalentada e protegida. Adormecer gostosamente, sentindo um calorzinho no peito que me dá a certeza de que aqui eu estou bem e as preocupações são vãs. Deixa o mundo girar frenético, na sua insanidade diária! Deixa eles acabarem com as suas vidas desse modo robótico e frio... Aqui, nestes braços, eu sei que tudo vai ficar bem.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Sobre pentelhice e medo
-Oi!
-Tudo bem?
-Tudo, e você?
-Tudo bem.
-Tá fazendo o quê?
-Tô jantando no Subway com o pessoal.
-Mas você tá viciada, hein?!
-Ah, a Tapioca chamou e eu aceitei. Mas roubaram meu cookie, mãe!
-Mesmo?
-É, ele estava aqui na minha frente, alguém pegou e eu não sei quem foi.
-Ah, foi o Marcelo!
Oo
hahahahahahaha
Nem a minha mãe perdoa!!! Justo ela que sempre diz que eu não devo ficar enchendo (muito) o saco das pessoas!
E eu me lembro de encher (muuuuito) o saco do Rubens - que saudade! - e fico me perguntando como certas pessoas me aguentam. Mas aí vem a resposta do Marcelo: "Não aguento, Alt. Você começa a falar e eu: puf";P
Aí eu lembro que, atrás da minha camiseta de formatura do Ensino Médio, está escrito: "Ô-Lívia Pentelha". Não há de ter sido à toa!
***
Às vezes eu queria ser menos medrosa.
Queria que as coisas na minha vida fossem menos ideia e mais ação. Pensar menos, fazer mais (O que não significa, em absoluto, deixar de pensar). Ser menos pessimista, menos relutante, menos fechada... menos medrosa, não foi o que eu disse?
Mas... sei lá!
"Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
(...)
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
(...)
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
(...)
Medo que dá medo do medo que dá"
(Miedo - Lenine)
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Sobre mim mesma
***
Eu não gosto nada de sentir ciúmes. Às vezes sinto, e fico com raiva porque é sempre por alguma razão besta, por algo sem sentido - alguma das minhocas da minha cabeça fica me dizendo que estão me excluindo, me ignorando, me enganando, e eu sei que não é verdade mas não consigo deixar de me incomodar. Fico sentindo aquilo ir me consumindo por dentro, lenta e cruelmente.
E aí, não sei por quê, começo a enxergar coisas que não existem e que vão alimentando mais ainda o ciúme, e isso vai crescendo e crescendo e crescendo até que eu acabo me sentindo muito, muito mal. E me sinto pior ainda por saber que isso não tem razão concreta nenhuma, e por acreditar que ciúme é um sentimento doentio que só reflete insegurança emocional e complica as relações. Então por que é que eu sinto? Não quero, não quero...
***
No feriado provavelmente teremos 'acampamento': cinco garotas, música, comidinhas e a noite inteira pela frente. E lá se vão horas de gula, música, conversa e risada.
Mais que isso, muito mais: horas e horas de contar todos os acontecimentos com detalhes, encenar diálogos, filosofar sobre o nada e o absurdo, investigar as relações e sentimentos humanos, perguntar e ouvir e aconselhar, orgulhar-se e envergonhar-se da condição feminina, imaginar e conceber clipes musicais bizarros, tirar milhões de fotos, falar e rir alto sobre qualquer coisa, divagar sobre o passado e o presente e os futuros que podem ser...
Nessas horas eu me sinto mais eu mesma.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Que belo estranho dia para se ter alegria
Tive um fim-de-semana muito agradável, cheio de risadas, conversas interessantes, música e pessoas queridas. Conheci caras novas, comi Campbell's Tomato Soup (!!!!) e estive perto de gente encantadora. E, hoje, o dia começou tarde pra mim, e não parecia muito diferente das tantas outras quartas-feiras de sempre. Mas aí me permiti 'perder' uma tarde pra ficar cantando junto a um violão e alguns colegas - coisa que eu não fazia faz tempo e estava realmente precisando. Música boa, companhia ainda melhor. O prazer de estar experimentando diversão pura e gratuita, e de partilhar disso. Não consigo explicar direito, talvez porque certas sensações, só mesmo com música.
E, no meio de um semestre atribulado, que belo estranho dia pra se ter alegria! :)
"Canto pra esquecer a dor da vida" (Lavoura)
terça-feira, 31 de março de 2009
Sobre encontros, desencontros, re-encontros...
Aprendi, por exemplo, que não se pode exigir de alguém que a pessoa goste de você como você gosta dela, não se pode cobrar vínculos de ninguém - esse tipo de coisa não dá pra forçar. Soa cruel, mas acontece. Claro que sempre se pode correr atrás, tentar trazer a pessoa de volta - mas, se isso não for realmente importante pra ela, ela não vai voltar.
Obviamente eu já quis que pessoas queridas estivessem por perto, que desejassem estar comigo do mesmo jeito que eu queria estar com elas, que priorizassem nossa relação como eu priorizo. Mas não posso cobrar isso delas, e me policio pra não ficar pegando no pé, dando uma de carente, pentelha e inconveniente. Adianta?!! Eu mesma, confesso, já negligenciei amizades de pessoas que sabia gostarem muito de mim. É chato, é injusto, mas é verdade. E, se elas viessem me cobrar atenção ou reciprocidade, eu até que não lhes tiraria a razão, e refletiria, e talvez tentasse corrigir, mas meu sentimento não iria mudar de uma hora pra outra. Dá pra entender? Não quero soar fria ou coisa assim, mas tenho tentado observar as coisas sob uma lente racional.
Por outro lado, aprendi também o quanto é bom resgatar relações que já achava desgastadas e sem futuro. O quanto é gostoso retomar, inesperadamente ou não, o contato com alguém já distante e descobrir que ambas as partes se comprazem com o re-encontro. 'Ouvir' o sorriso do outro lado de uma linha telefônica, sentir a alegria sincera, perceber que o sentimento ainda vive nas duas partes, só estava ali meio perdido por causa das idas e vindas dessa vida doida... Talvez eu pareça tola e sentimental, mas se eu tentasse representar esse sentimento com algo, seria um imenso balão colorido, subindo e dando ao céu mais cor e calor, e às pessoas mais encanto pela vida (santa cafonice!).
O tal balão talvez também se aplique àquelas relações que se mantém vivas, acesas, independentemente do tempo ou da distância - relações de confiança plena, de sintonia mesmo (sabe, 'transmimento de pensação' e coisas assim?). Mas acho que nesse caso nem o balão seja uma boa representação, seja muito pouco pra um sentimento desses. A isso eu tenho chamado de amor (não achei palavra melhor), e me preenche de tal forma com coisas boas que nem me chegam as palavras.
E como não falar daquelas pessoas com quem a gente não convive tanto, mas sabe que são especiais? As pessoas com quem você quase nem conversa, mas sente uma afeição enorme. Ah, como é bom tê-las na sua vida, saber que elas estão ali! É ter sempre um carinho por perto, mesmo que não seja tão perto assim.
Talvez eu ainda passe por outras situações, experimente outras coisas, aprenda mais e veja as coisas de modo diferente um dia. Mas por enquanto estou assim: sentindo muito que a vida desbote algumas relações, mas alegre porque ela também está colorindo e recolorindo outras.
Não sei se tem muito a ver, mas encerro com uma citação que achei na agenda de uma amiga (adooooro agendas com frases diárias!):
"Lealdade é uma atitude muito mais ampla e mais comprometida do que a fidelidade. Ser leal é estar junto, é brigar por, é dar o ombro, é dividir alegrias e tristezas, é não julgar, é ter a liberdade de estar sem precisar ter, é cumprir sem prometer, é voltar sem ter ido. A lealdade não exige reciprocidade, nem exclusividade. Também não estabelece gênero ou número. Nem admite meio-termo: a gente é leal ou não é."
(Euza Noronha)
quinta-feira, 19 de março de 2009
Sobre nem sei
***
"Amar verdadeiramente alguém é acreditar que, ao amá-lo, se alcançará uma verdade sobre si. Ama-se aquele ou aquela que conserva a resposta, ou uma resposta, à nossa questão 'Quem sou eu?'" (Jacques-Alain Miller, psicanalista)
Essa eu guardo pras minhas discussões intermináveis com a Giu. Pra quando a gente fala o que sente, e fica tentando analisar pessoas e relações. Pros momentos em que eu conto pra ela meus acessos sentimentalóides, e ela me entende, e depois a gente fica um tempão desfiando idéias e hipóteses sobre o amor e suas variantes. =)
***
Não gosto da postura dessa tal de Mallu Magalhães. Não posso e nem vou criticar seu trabalho musical - não o conheço e, mesmo que conhecesse, não teria conhecimento técnico suficiente pra analisar. O que eu não gosto é da postura mesmo, do jeito dela perante a mídia.
Até pouco tempo, eu só tinha ouvido falar no nome dela e visto algumas fotos. Há uns meses, me deparei com uma entrevista dela na Rolling Stone, e fiquei decepcionada. Essa tentativa dela de ser/parecer cult é simplesmente ridícula, assim como esse ar sonso-infantil que ela faz. Ela me parece toda forjada, entende? Pegue um violão, fale coisas pseudo-filosóficas com um ar de vaga pureza, faça uma cara doce e pronto! Não, não gostei de jeito nenhum. Acredito, sim, que ela seja bem inteligente. Mas precisa se portar desse jeito?
Pra piorar, domingo ela fez uma participação no "Mosaicos" da TV Cultura, sobre o Caetano Veloso, cantando 'Leãozinho'. Gosto tanto dessa música! Não esperava que fosse achar tão ruim. Fraco, bobo, irritante. Mais que isso: pretensioso. Uma pena.
***
"Sua presença me faz rir
Nos dias feitos pra chover
Não há revolta pra sentir
Nem há milagre pra não crer"
(Pétala por pétala - Chico César)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Sobre vaidade
(Livro do Eclesiastes 1:2)
A menininha chega à escola, põe sua lancheira rosa-choque ao lado da carteira e nota que já há um bilhete ali, com um coração desenhado. Infla-se toda. Ele não é namorado dela, claro que não, ela não quer namorar com ele. Lê rapidamente, como se não importasse muito, e o bilhete some dentro da mochila dela, como se houvesse sido tragado por um triturador de lixo.
Se saem juntos da escola e se despedem - ele sempre com um beijinho tímido no rosto dela - a mãe dela fica falando no carro sobre como ele é uma gracinha.
Está certo, ele é diferente da maioria dos meninos que ficam enfiando o dedo no nariz. Ele gosta de conversar e fazer gentilezas e elogios a ela. E ela não 'desgosta' dele, na verdade, mas não gosta que pensem que ele é seu namorado. Ela não namora com ele!
Mas em casa, abre a mochila sem ninguém ver e leva o bilhete ao 'esconderijo'. Ainda relê o bilhete do dia com mais atenção antes de guardá-lo junto a tantos outros, deliciando-se menos com as palavras do que com a intenção. Os bilhetes, as flores de papel, as embalagens de bombons, são todos prova do quanto ele a adora - e ela não é tão fútil para expô-los como troféus, então guarda num fundo de gaveta, num misto de intimidade e massagem para o ego.
Ela chega na escola, entra na sala e olha direto para sua carteira, com expecativa. Não há nada. Já faz uma semana que não há nada. Como assim?
Eles ainda conversam às vezes, ele ainda é um menino legal, mas já não fala em namorar com ela e nunca mais deixou bilhetes. Tem conversado com outra menina, aliás, uma que usa um monte de enfeites no cabelo. E, se não falha a memória, havia um bilhete em outra carteira dia desses.
Ela não chora, não faz tipo de mulher traída. Eles não namoravam, claro. Mas remói aquilo por dias, analisando os bilhetes, se perguntando o que será que ele escreve para a menina de cabelos enfeitados. E os observa, e se olha no espelho pensando que, se também pusesse umas borboletinhas no cabelo, talvez os bilhetes voltassem. E espera, todo os dias, que ele se lembre que é dela que ele gosta de verdade, e que era o nome dela que ele escrevia dentro dos corações de lápis de cor.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Na sala de aula
V - É, Maroca, tem coisas que nem Freud explica!
L - EBAAA! CHAT! xD
F - EEEE eu também tô =D
M - É, mas eu fico com a cabeça cheia de minhoca!!
E - oiii, eu tô no chat também!
L - EI! Você aí! De onde tc? =P
F - Eu também tenho minhocas na cabeça
M - Sei lá o que dizer! Apenas que o bumbum do Guga não ficou tão legal com essa calça!
E - eu concordo!
oi! sou morena, baixinha, tc de SP, e também tenho minhocas na cabeça, e você?
V - Realmente com outras calças já ficou melhor...
Também tenho minhocas na cabeça, aliás muitas minhocas
L - Eu tc de SP! Não sei como sou, nem sei o que vai nesta cabeça... =/
Mas o Guga continua fofo! x)
F - Morena baixinha de SP? Eu conheço uma de Sorocaba.
p.s.: O Guga é gostoso xD
E - na minha cabeça passam coisas q eu não posso falar! rs...
eu conheço também, gata essa menina né? rs
M - Não dá pra falar COF COF COF COF
V - Ela é tão gata assim, também quero conhecer de perto. Morena, altura mediana de SP. O Guguinha é fantástico
L - Guuuuga! Guuuuga! Alguém conhece uma tal de "gostosa"?! =/
F - [sobre "morena baixinha de Sorocaba":] feinha, coitada =/
[sobre a "gostosa":] eu conheço! "A Gostosa"
[sobre "o que passa na cabeça":] coisas que eu não ouso confessar =/
M - COF COF COF...
E - Gostosa? claro que eu conheço, todo mundo conhece a gostosa! hahaha
Guga lindo!
V- Dã, claro que eu conheço a GOSTOSA... ficam falando dela o tempo todo...
Guga lindo demais!
L - Gostosaa, gostosaa! xD
[sobre "coisas que eu não ouso confessar":] EITA! Olha a pornografia!
E - Pornografia, onde? Eu quero ver também!
M - COF COF COF COF
V - Ei, não escondam de mim
L - Nas minhocas do Felipe! Opaaa!
F - Opaa... é cada minhoca...
M - COF COF COF
E - Minhoca, obaaa! rs! tá todo mundo bixado eee
vocês vão mesmo na parada?
V - Eu já vi a minhoca do Fê
L - Claro q vou na parada!
E viva as cobras do Fê! hahahaha
F - Vamos virar a folha...
Eu vou na parada! =D
M - COF COF... eu também =D
E - Só eu não vi a cobra do Fê ainda?
ai, eu não vou na parada!
V - Ah, seus maus, eu quero ir na parada!
L - AEEE! EU VOU!
A Ellen vai pegar a cobra do Fê, é isso?! =O
F - Num é assim também, minha cobra num vai na mão de qualquer um não... eu cuido bem dela!
VAAAI! Vamo todo mundo para a PARADA =D
M - COF COF
E - eu vou na parada eeee...
mas eu não vou pegar a cobra do Fê não, só falei que eu não vi ainda! e eu também não sou qualquer um não, viu! num quero pegar cobra nenhuma!
L - Sei, sei! Até parece q não! =P
Resolveu ir, é?
F - Hahaha... COF COF COF
E - Resolvi sim! eee...
não quero mesmo não... essa mini-cobra aí
L - ó lá, tá desafiandooo! essa Ellen tá querendo, hein! =P
V - Safadaaa
E - não tô querendo nada! pára gente! rs... não vou falar mais não! tô sendo mal interpretada!
M - TÔ COM FOME!
L - De novo c/ fome?!
V - Gulosa...
M - Mas eu ainda não comi!
L - Relaxa, Mari, já já a gente vai comer!
E a Ellen disfarça... hahahaha! ;D
M - Li, o que podemos comer? idéias...
E - Vocês falando tá me dando fome, mas eu tô pobre! tem que ser barato! snif
...
[O 'bilhete', escrito em 17/06/06 numa aula de Linha de Apoio, foi transcrito de modo que a conversa pudesse ser entendida]
sábado, 29 de novembro de 2008
Sobre antigas criações
***
Uma cadeira de balanço. Um senhor inclinado para o toca-discos, imerso em lembranças da juventude. Raios de sol penetrando a escura sala e o frio coração de um solitário. Alguns amigos, um reencontro e o brilho dos olhos. O chiado das folhas das árvores chacoalhadas pelo vento. Um velho bicho de pelúcia sobre a cama, com o ar de quem já compartilhou dos sofrimentos e alegrias da jovem apaixonada. Um cãozinho entretido com a borboleta azul. O aroma familiar da comida da mãe invadindo os pulmões e o coração dos filhos que retornam à casa. Um botão de rosa. O silêncio interrompido apenas pelo ruído do lápis no papel e pelo palpitar do coração do jovem escritor. A espera ansiosa pelo amanhã. O desespero de uma mulher traída. O toque suave de mãos femininas acariciando o homem amado. Um gato estirado ao sol num dia de inverno. O tempo, implacável, voando veloz e incessantemente. A descoberta da cura, um sorriso de alívio. Um grito na noite. Os olhos de uma idosa, que revelam mágoas, alegrias, força e a convicção de que sempre há mais a ser aprendido. Libélulas brincando sobre um lago sereno. Uma criança com medo. Uma prece. Crianças atentas aos sábios ensinamentos do professor, que leciona com amor. Um bebê adormecido. Gargalhadas na cozinha de uma família feliz. A viagem dos sonhos. Lágrimas contidas, pela ausência do ente querido. O milagre da vida. A luz avermelhada do sol poente sobre um casal comum. Anjos colorindo a manhã. O cuidado da mãe com seus filhotes. Cortinas ao vento. Uma bolha de sabão.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Sobre a separação
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente"
(Soneto de Separação - Vinícius de Moraes)
"Eu tenho muito medo de as nossas vidas ficarem tão diferentes que a gente não tenha mais o que conversar. Medo de que a gente pare de se procurar. Medo de um dia me dar conta de que a gente não tá mais junto"
(em conversa com a Vones)
Num post antigo,eu comentei um medo que eu tinha de esquecer das pessoas que eu amo. Hoje eu estou certa de que não vou esquecê-las, mas me deparo com uma nova agonia: o medo da separação. Não da separação abrupta, que deixa abertas feridas ardentes de tanto sentimento. Da separação morna, que vai esfriando, esfriando, e daí um dia, de repente, você nota que ela já aconteceu.
Não sei se a distância, ou o tempo, ou a vida fazem as coisas serem assim. Não sei por que essa separação acontece com algumas pessoas e não com outras. Só sei que não devia ser assim.
É triste perceber que amores e amizades podem estar se tornando meras lembranças. É triste pensar que relações aparentemente sólidas se desmancham e escorrem por entre os dedos. É triste notar que os rostos do presente podem virar rostos do passado.
Eu luto contra isso, eu tento lutar. Mas às vezes parece que sou tão fraca frente à força dos acontecimentos...
sábado, 22 de novembro de 2008
Sobre os besouros/ETs
os bichinhos voadores marrons crocantes voltaram, e suspeito que não sejam mesmo ETs. Tampouco cupins, Dani! São besourinhos mesmo, mais ou menos como este:
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Sobre injustiça
Eu sei que o mundo e as pessoas estão cheios de problemas, mas cada vez que me dou conta de que eles estão muito próximos de mim e, ao mesmo tempo, abissalmente distantes, eu levo um choque. Repensei todos os milhões de injustiças que acontecem todos os dias há bem pouco tempo, por causa de um acontecimento aparentemente banal que me cruzou o caminho.
Explico-me: na quinta-feira, enquanto esperava pra embarcar no ônibus pra São Paulo, o rapaz à minha frente apresentou a passagem ao motorista, que disse, apontando pra passagem: "O senhor tem que preencher aqui antes de entrar". O rapaz foi um pouco para o lado, saindo da fila, mas continuou olhando pro motorista com um ar meio vago, sem saber direito o que fazer. Ele, claramente, não sabia escrever. Logo o próprio motorista foi ajudá-lo, e depois as pessoas continuaram embarcando normalmente - a maioria sem nem saber o que aconteceu naquele breve instante. Eu sentei em meu lugar, ajeitei minhas coisas e tal... mas a expressão do homem não me saía da cabeça, junto com um bocado de questionamentos e inconformidade. Perceber que existem milhões de pessoas que passam por mim todos os dias que não conseguem nem escrever o próprio nome foi assustador, por mais que eu já soubesse disso.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Sobre a visita extraterreste
-Mas como é que você sabe que não viu? Você não sabe em que forma eles vêm! Vai ver estava na nossa cara o tempo todo!
-É, pode ser...
-Ow... e se forem os bichinhos crocantes?
-Que bichinhos crocantes?
-Aqueles que eu disse que apareceram em bando na noite de segunda, lembra?! Não fui só eu que vi... e, parando pra pensar, esta noite eles não apareceram...
-Sério?
-Uhum... então deu três dias certinho. Bem que eu achei aqueles bichos estranhos!
-Mas, os ETs iriam vir em forma de inseto?! Que burros!
-Burros por quê? Eu diria que é muito bem pensado: é uma manifestação que todo mundo nota - um monte de insetos diferentes aparecendo de repente - mas não dá tanto medo nas pessoas como as aparições "tradicionais"...
-Até aí sim... mas é burrice vir como inseto porque aí eles morrem aos montes!
-Bom, isso é mesmo. Eu mesma matei dois ontem com o maior prazer.
-Então... os ETs não iam vir em forma de inseto pra a gente matá-los.
-Ué, e como você sabe? De repente a aparição é só pra eles se fazerem notar... vai ver a dimensão física não importa tanto pra eles, porque eles já estão mais evoluídos.
-Pensando assim, até que pode ser...
***
O mais divertido em ter idéias malucas é achar quem as compreenda! ;P
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Sobre (e contra) a Reforma Ortográfica
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma. "Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos. Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa. É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever "ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro, porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque, quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder" no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou "receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado, no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la? Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
(Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da COPEVE/UFMG.)
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Sou péssima pra títulos...
Na loucura em que se vive hoje - com mil coisas pra ver, ouvir, falar, decidir, fazer, pensar - às vezes parece que as pessoas perdem a sensibilidade. Mais que isso, esquecem de olhar o lado belo das coisas, pelo simples e fraco pretexto da falta de tempo.
Hoje de manhã, por exemplo, quem viu as teias de aranha cheias de orvalho? Quem reparou que, no fim da tarde, havia nuvens rosadas espalhadas pelo céu azul, numa visão digna de pintura renascentista? Quem vê os passarinhos felizes e as folhas das árvores radiantes depois da chuva? Tanta coisa que está na nossa frente todos os dias, mas pouca gente percebe. Pouca gente se permite perceber. Preferem esperar as férias, onde tudo vira motivo pra admiração. Por que?
Por que as pessoas tiram fotos do pôr do sol na praia, mas sequer olham para o sol se pondo no dia-a-dia? Por que elas vêem tanta graça nas aves que sobrevoam os campos, mas nunca repararam que há famílias de pássaros brincando nas árvores pelas quais passam diariamente? Por que fazem fogueiras sob o luar, mas nem lembram que existe lua quando voltam pra casa à noite?
Pensei, pensei, mas não consegui achar nem sinal de resposta. Tem gente que me acha estranha por enxergar tudo isso, por querer que os outros também enxerguem, e por ficar questionando tanto - me olham como se eu fosse um bicho exótico, ou como se eu precisasse de uma camisa de força. Mas é que eu não entendo como as pessoas podem ficar tão imersas na sua neurose a ponto de esquecer que existe tanta vida em volta. Reclama-se tanto da desumanização que a vida urbana traz, mas as pessoas é que se lançam nisso, sem nem titubear. Fala-se que a vida está ruim, que o tempo é curto, mas a vida e o tempo são o que se faz deles.
Não entendo, realmente, como as pessoas querem salvar a humanidade, a natureza, o planeta, querem mudar o mundo mas não chegam nem a tentar mudar coisas sutis em suas próprias vidas. Não entendo por que as pessoas só se dão conta de que existe beleza em torno de si na viagem de férias ou, pior, quando essa beleza já está sufocada, esquecida, ameaçada por essa cegueira insana que tomou conta da dita civilização.